Alta Performance na empresa e na carreira

Inovação e Alta PerformanceO que faz um profissional de alta performance? É possível fazer um paralelo sobre o desenvolvimento de um país e o desenvolvimento de um líder? Muito tem sido dito sobre o profissional desejado pelas empresas, mas o quê de fato, leva à superação de metas?

Esta semana fui convidado pelos alunos do curso de Administração da Faculdade de Extrema (FAEX) para uma conversa sobre planejamento de carreira e a cultura da alta performance. Para construir o pensamento da conversa, aproveitei o calor gerado pelos debates eleitorais e fiz o paralelo com a nossa carreira.

O que faz um país ser desenvolvido?

Falamos tanto sobre o Brasil ser ou não um país desenvolvido e quais as melhores receitas para isto, não é? A discussão praticamente partiu o país em dois, mas enquanto muita bobagem foi dita, pouco falamos sobre os caminhos estratégicos para isto. Então, pense, o que faz um país ser desenvolvido?

Idade – Para muitos o fato do Brasil ser um país jovem é o que explica os principais problemas. Você concorda? Bem, o Egito já é citado na Bíblia antes do nascimento de Cristo, então, seguindo a lógica da idade deveria ser um país de primeiro mundo… Por outro lado, enquanto os europeus chegaram ao Brasil em 1500, o capitão britânico James Cook, só reclamou a Austrália para o Reino Unido, 270 anos depois.

Colonização – Outra grande desculpa para nossos problemas é a colonização. Enquanto os norte-americanos deram a sorte da colonização inglesa, nós demos o azar de sermos povoados pelos portugueses, certo? Errado. Novamente uso a Austrália como exemplo, durante muitos anos o país foi uma colônia penal do governo britânico.

Recursos Naturais – Ser um país rico em terras, minério e outras riquezas deveria ser um fator de desenvolvimento, certo? Afinal, o Brasil é o celeiro do mundo. Errado. O Japão é praticamente uma ilha de pedra, com mais de 60 vulcões, exposto a maremotos e ainda assim, é uma potencia.

Então, afinal de contas, o que é estratégico no desenvolvimento? A produção de conhecimento. A Coréia do Sul, durante 20 anos, investiu 10% do PIB em educação e saiu do estágio em que se encontrava – próximo ao do Brasil – e se tornou um dos principais países, tanto no aspecto educacional como no desenvolvimento econômico.

O que faz um profissional de alta performance

Desenvolvimento de Líderes. Líder de alta performanceLevando em conta este raciocínio, o que faz então, um profissional de sucesso? Já entendemos que idade não é impedimento. Ser jovem demais ou velho demais é puro preconceito. Enquanto perdemos tempo rotulando gerações e criando esquemas de convivência, deixamos de pensar no que realmente importa: o resultado.

Da mesma forma que sua origem. Há alguns anos, tive contato com uma excelente profissional que carregava um fardo de insegurança por ser de família nordestina. Ela acreditava que seu sotaque era um ponto desfavorável já na entrevista de emprego. Outro executivo de uma grande empresa, mesmo tendo uma sólida formação acadêmica e falar outro idioma com fluência, também tem receio do sotaque.

Ser nordestino, sulista ou oriental não é sinônimo nem de competência, nem de engajamento. Seria como dizer que um paraplégico é mais esforçado ou que os homossexuais não são honestos, seria puro preconceito e como tal cheio de ignorância.

Por fim, chegamos aos recursos naturais e assim como para uma nação, também não representam um diferencial estratégico para o profissional. Desde antes da revolução industrial, o homem aprendeu a trabalhar com as mãos. Mas foram aqueles que usaram a mente que se destacaram. Apenas executar corretamente uma tarefa não faz de você um profissional de alta performance.

O que nos leva diretamente ao ponto de diferencial competitivo: produção de conhecimento. Quanto você contribui com sugestões e melhorias no seu local de trabalho? O quanto é empenhado em ajudar os colegas a desempenhar melhor suas tarefas? Nas reuniões você é o que participa ou é o que prefere ficar atrás de todo mundo, em silêncio?

A Alta Performance que vem do Chão de Fábrica

O último emprego do jovem americano Richard Drew antes de começar a faculdade de engenharia havia sido o de tocador de banjo. Aos 22 anos e com pouco dinheiro, ele começou a procurar algo mais rentável. Suas respostas entusiasmadas numa entrevista na 3M renderam-lhe uma vaga na linha de produção de uma montadora para testar as lixas fabricadas pela empresa. Mas desde o primeiro dia de trabalho, o departamento de pintura, vizinho ao seu, era o que mais chamava a atenção de Drew. Os colegas da função ao lado usavam esparadrapos para demarcar áreas e proteger as partes do carro que não seriam pintadas. Mas se debatiam com um problema: a fita grudava na lataria de tal modo que, ao ser removida, deixava os veículos com pequenas falhas na pintura.

Intrigado, Drew queria ajudar na busca por uma solução para o caso. Assim, no lugar de se dedicar às lixas, passou a pensar nos esparadrapos. Trabalhava escondido num projeto que testava colas e misturas não tão aderentes. Até que descobriu a fórmula de uma cola menos agressiva, que poderia ser removida sem causar estragos na superfície. Foi assim que ele inventou a fita adesiva, em 1925. E inspirou os diretores da 3M a implementarem uma política revolucionária para a época: os funcionários das áreas técnicas poderiam dedicar 15% de seu tempo a projetos individuais, algo que, várias décadas depois, empresas como o Google começaram a fazer.

Lembre-se sempre, junto com seus braços, você leva um cérebro. Use-o! Não se acomode, nem permita que desculpas limitem o seu desenvolvimento. Você é o único responsável por sua história.

Desenvolvimento de Líderes. Motivando a equipe.