Você não é especial [de verdade]

você não é especialO profissional quer promoção e aumento, mas não o esforço. O filho quer o presente, mas não as cobranças. O marido acredita que é o melhor do mundo e merece todos os mimos. O empreendedor tem certeza que deveria receber apenas “bons” clientes. Estamos sofrendo da Síndrome do Especial!

O ritmo frenético da vida moderna nos leva a perder uma série de referências, um comportamento que está nos fazendo tirar os olhos do que realmente importa.

Somos avaliados o tempo todo pelo poder de consumo que apresentamos. Por exemplo, quando é que um empreendedor é considerado um sujeito de sucesso? Quando aparece com um carrão novo.

Os exemplos são fáceis. Difícil é entender o que se passa dentro de nós e pior, como resgatar os pontos que realmente nos fazem felizes.

A Era do Vazio

Em 1989, escreveu o livro “A Era do Vazio” onde tentava traduzir alguns dos fenômenos sociais dos países desenvolvidos como a indiferença, a apatia, o narcisismo e o culto ao individualismo. De lá para cá, parece que acertou em cheio e diante deste crescente vazio as pessoas estão buscando “fora” itens para preenche-lo como drogas, a violência gratuita, as conquistas superficiais.  O problema é que o vazio continua.

Seria excelente se a felicidade pudesse ser guardada na embalagem de um refrigerante ou se todo pote de margarina garantisse um café da manhã em família digno dos comerciais de TV. Mas não é assim que funciona, por uma razão simples. O “vazio” está no ser, enquanto todos estes objetos de consumo estão no “ter”.

Sagrado X Segredo

, em seu livro “O Sagrado” faz uma análise muito profunda a respeito da Síndrome do Especial, num contraponto ao livro O Segredo.

O segredo é pernicioso ao dizer que as pessoas são especiais. O livro diz, basicamente, que as pessoas podem pedir o que quiserem ao universo porque são especiais e não apenas um código de barras nesta civilização”, explica o rabino durante uma entrevista.

De seu ponto de vista, toda vez que uma pessoa se considera mais especial do que outra, está se colocando acima, sentindo-se um “eleito”. Desta forma, perdemos dois pontos de vista:

:: O Mérito – esquecemos que é preciso muito trabalho duro para se construir uma carreira ou uma empresa. Esquecemos que os problemas fazem parte da vida, os desafios são constantes e o fracasso está sempre nos espiando.

Me surpreende quando converso com profissionais que me dizem claramente: “Eu não quero estresse, não quero um trabalho que me exija muito”. Isto não existe, por mais que você se sinta especial!

Mas o que estamos ensinando? Nas escolas infantis as medalhas de uma competição são entregues a todos, ganhadores e perdedores…

dança indigena

A Sociedade Moderna perdeu o sentimento de pertencer a um grupo

:: O Grupo – Ninguém alcançou sucesso sozinho. Isto é um fato. Por mais talentoso que você seja, precisa do suporte de outras pessoas, direta ou indiretamente.

Segundo Nilton Bonder, “as pessoas se enganam quando acham que o que querem é a descoberta de um segredo, de uma chave para o universo. O que mais anseiam é por comunidade. Esse sentimento de pertencer a um grupo aparecia em danças tribais em que havia elementos sagrados ou quando, na tradição judaica, acendem-se velas de (período que começa a partir do pôr-do-sol da sexta-feira e vai até o pôr-do-sol de sábado, ordenado por Deus como um tempo de descanso após a Criação). O sagrado nos conecta a uma árvore da vida, que prova que você não é um zé-ninguém que vive sozinho pelo universo. Qual é a força de um camarada que vai à academia e toma anabolizantes para ficar musculoso? Que força tem quando pega Aids? As pessoas hoje não têm vontade de dominar o universo, mas simplesmente de poder pôr a mão no ombro de alguém, dançar sua dança tribal e sentir-se como um galho de uma árvore da vida sagrada construída de geração em geração.”

Aproveite o começo da semana para repensar sua “especialidade” e faça por merecer as bençãos que recebe.

Desenvolvimento de Líderes