Mercado hoteleiro mais aquecido do que nunca

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Investimentos chegam a US$ 7,3 bilhões até a Copa do Mundo de 2014, somente na construção de novos hotéis, que deverão agregar 21 mil leitos a um parque composto por um milhão de apartamentos e 18 mil hotéis, 70% deles de médio e pequeno porte

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, esteve em visita oficial ao Brasil no final de setembro e trouxe, além de ministros e autoridades, uma delegação de dezenas de empresários, fato inédito nas relações comerciais entre as nações dos dois continentes. Em encontro na Fiesp, em São Paulo, Cameron justificou que é momento de se olhar para o Brasil como grande parceiro de negócios, já que o País ultrapassou os britânicos como a sexta maior economia mundial, conforme estudo divulgado no final de 2011 pelo Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios, consultoria da Grã-Bretanha.

Este novo Brasil que atrai o velho continente exibe hoje impressionante processo de mobilidade e de desenvolvimento econômico-social, com uma classe C que ultrapassa a 50% de seus habitantes, e com as classes D e E tendo encolhido, em apenas dez anos, de 47,1% do total das famílias para 16,6%. As classes A, B e C compõem, portanto, mais de 80% da população brasileira, o que abre inestimáveis oportunidades de negócios em todos os quadrantes do País.

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Na rede hoteleira, as perspectivas de investimentos chegam a US$ 7,3 bilhões até a Copa do Mundo de 2014, somente na construção de novos hotéis, que deverão agregar 21 mil leitos a um parque composto por um milhão de apartamentos e 18 mil hotéis, 70% deles de médio e pequeno porte. E justamente nessa estrutura instalada abre-se outra grande frente de negócios, já que ela vem passando por reformas, manutenção, modernização e retrofit. Isso incrementa toda a cadeia produtiva, ao proporcionar novas demandas à indústria, construção civil, comércio e ao segmento de Serviços.

Um bom exemplo pode ser observado frente à necessidade de os hotéis, resorts, pousadas, albergues, pensões e motéis brasileiros, em um total de trinta mil estabelecimentos, renovarem os aparelhos de televisão que dispõem aos seus hóspedes. Atualmente, apenas 30% dos quartos no Brasil contam com equipamentos com telas planas, o restante ainda é composto pelos velhos e ultrapassados tubos. A necessidade de atualização envolve também outros equipamentos (como a introdução de tablets como apoio aos serviços de informações aos hóspedes), espaços (como sanitários) e insumos (rouparia, louça etc.), porque o turista é bastante exigente e quer conforto e modernidade.

É uma rede que se prepara, portanto, não apenas para os grandes eventos esportivos dos próximos quatro anos, mas também para o crescimento de dois dos principais nichos de turismo no Brasil: o de lazer, em que o sol e a praia constituem os principais atrativos aos estrangeiros; e o de negócios, em franca expansão, especialmente em capitais como São Paulo, onde a taxa de ocupação é sempre elevada. Segundo a organização internacional World Travel & Tourism Council (WTTC), os reflexos destes investimentos são contabilizados positivamente naquilo que ela denomina como “economia do turismo”, que no País atingia 7,2% sobre o PIB (Produto Interno Bruto) em 2005 – antes, portanto, que começassem a tomar corpo os aportes realizados em função da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016. Estimativas oficiais apontam que os eventos gerados pelos dois principais acontecimentos esportivos do Brasil na década aumentarão em até 79% o fluxo turístico internacional para o Brasil.

É impossível prever o impacto das transformações no reposicionamento futuro do País dentro do cenário internacional do turismo. Mas o que se espera é que toda essa rede de oportunidades, especialmente aquelas ligadas ao mundo dos negócios, desenvolva uma nova cultura em prol do turismo entre as autoridades, os próprios setores econômicos e a sociedade, de forma a preparar as cidades, profissionalizar os serviços e construir um ambiente favorável à recepção ao cidadão estrangeiro. Para tanto, os hotéis estão fazendo sua parte.

Mas dispor de uma boa rede hoteleira não dispensa a necessidade de uma política nacional para o turismo, que seja capaz de potencializar as oportunidades abertas pelos eventos internacionais e investimentos assumidos pela rede hoteleira. É preciso estabelecer programas que deem conta de fomentar um ambiente econômico e de negócios propício ao segmento, eliminando a morosidade da burocracia governamental no que diz respeito às atividades do setor; repensando a carga tributária; e investindo na qualificação da mão de obra.

Esta é a grande chance que o Brasil tem para começar a escrever um cenário diferente daquele que o coloca hoje, conforme dados também da WTTC, apenas na 18° posição em tamanho absoluto do mercado do turismo, na 137° em contribuição relativa do setor para a economia nacional e no 127° lugar no crescimento de longo prazo. Um País tão privilegiado pela natureza – e agora, pelo ciclo virtuoso da economia – precisa saber transformar toda essa herança em riqueza e benefícios ao seu povo.

Julio Serson é presidente do Grupo Serson e vice-presidente de Relações Institucionais do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB).

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