200 Redes Sociais | Elas contam a nossa história

as_redes_sociais_nos_aproximamE provam que o ser humano adora partilhar experiências

Em agosto do ano passado, o site How Many Are There?, tipo um “coleta qualquer coisa” que existe por aí, apontou a existência de mais de 200 redes sociais espalhadas por esse mundão afora. Tem de tudo e pra todos.

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Só para afroamericanos (BlackPlanet), para gregos desempregados marcarem encontros (Zoo.gr), para adolescentes escandinavos (Playahead) ou só para mamães, as que já são ou as que ainda vão ser (CafeMom). Na China, as redes mais populares, como Qzone e Renren, tinham na época mais de 480 e 160 milhões de seguidores, respectivamente. Na Índia, mídias sociais como o nosso velho Orkut e outras tipo Ibibo e BIGADDA também reuniam uma pá de gente.

Mas o que motiva as pessoas a se conectarem umas às outras? Interesses comuns; vontade de conhecer as gatinhas de Harvard e ganhar um monte de dinheiro com isso; ou apenas a necessidade de não se sentirem sozinhas numa sociedade de consumo caracterizada pela impessoalidade e pela competição. Bom, é isso e mais alguma coisa. Principalmente, contar algo que lhes aconteceu a outrem.

Criada em dezembro de 2011 por um homônimo do Doutor Smith de Perdidos no Espaço, a Cowbird é uma comunidade de contadores de histórias (storytellers) que se propõe a montar uma grande biblioteca da experiência humana. Formado em fotografia e ciência da computação pela Universidade de Princeton, Jonathan Harris, 32 anos, teve seus trabalhos de arte visual expostos no MoMA de Nova York, no Centro Georges Pompidou de Paris, no Victoria and Albert Museum de Londres e no Garage Center for Contemporary Culture de Moscou, entre outros espaços.

pintura_na_caverna_de_LascauxUsando fotos, palavras e sons, a Cowbird reuniu, de dezembro pra cá, mais de 7,6 mil pessoas que têm o que contar. Gente como o fotógrafo Aaron Huey, testemunha do recente massacre de civis no Afeganistão, que casou com a namorada (hoje mãe de seu filho) num cemitério de tanques abandonados atrás de uma base afegã e, logo depois, quase morreu numa emboscada. Ou como a escritora Anisha Raiford, divorciada e mãe de um garoto autista que foi levado pela escola para uma delegacia por que os professores simplesmente não sabiam lidar com ele.

Desde que as paredes de Lascaux foram pintadas, milhares de anos atrás, a humanidade sente a necessidade de relatar os acontecimentos, do ancião que guarda a memória coletiva de sua tribo ao blogueiro que narra a ocupação de Wall Street. A Cowbird é mais um veículo para expressar esse sentimento que nos faz humanos, demasiado humanos. Mas, como todas as outras mídias sociais, só vai vingar se tiver conteúdo. E, pelo que apresenta, parece que tem.

Dorva Rezende é jornalista, editor-chefe na Talk Estratégias Digitais.

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.