Como detonar sua empresa, exemplo prático

O exemplo do professor que chamou o aluno de “burro”

O flagrante da equipe da Rede Globo no professor de educação física, Ricardo de Paula Luna revelou ao país bem mais do que o despreparo de um educador. No final de semana passado, durante um jogo de handebol no Jogos Escolares de Minas Gerais, em Juiz de Fora, o professor chamou de “burro” um aluno de 14 anos. A gravação deixa claro o modo como os alunos eram tratados e o choque foi maior porque o colégio além de tradicional, com 112 anos de história, recebe alunos de famílias de alto poder aquisitivo. O que podemos aprender com isto?

O episódio ficou famoso porque foi filmado por uma equipe da Globo e com isto ganhou toda a mídia, também repercutiu por causa da reputação do Colégio São José, mas revela bem mais do que o rompante de um educador. Muitos outros episódios como este acontecem todos os dias em empresas de todos os portes e ramos, revelando a falta de consistência na formação de líderes, a ineficácia ou inexistência da política de Recursos Humanos e principalmente, que a alta administração não sabe realmente como seu cliente final é tratado.

Ao revelar seu desrespeito com um garoto de 14 anos o professor esqueceu quem paga seu salário, esqueceu seu papel de educador e mostrou seu comportamento instintivo de “chefe”. A instituição entregou seu cliente aos cuidados de um profissional técnicamente capaz, mas emocionalmente despreparado. Entre os RHs há uma expressão famosa que explica bem isto: CHA. As empresas contratam pelas Competências e Habilidades, mas demitem pelas Atitudes. 

Então vem a pergunta? Não seria mais econômico investir em seus talentos do que apenas em marketing? Não seria mais sábio preparar de forma consistente seus líderes ao invés de delegar cegamente? E quando falo em investir não digo apenas salário e benefícios, digo cuidar do ambiente de trabalho, da comunicação interna, de treinamento e coaching, de mudança de comportamento, de retenção de talentos.

O professor foi demitido, Colégio São José muito dificilmente cairá em desgraça por causa disto, mas certamente guardará uma cicatriz muito feia. E o pior é que isto pode acontecer na sua empresa, no seu supermercado, na sua loja, na sua industria, em qualquer lugar. Preste atenção aos seus líderes, o que eles estão fazendo? De que forma estão fazendo? Sabem exatamente sua importância para a empresa? Você mesmo se comporta como o professor? Agora tente calcular o valor da propaganda negativa que o episódio gerou. Pensou? Então agora pense em como seu RH está funcionando, veja o que mais pode ser feito e faça! Não espere virar manchete na Globo para mudar alguma coisa.

Estes dois artigos vão ajudar a ampliar sua visão sobre os líderes na sua empresa:

Rotatividade: quando a culpa é do líder

O Líder e o Assédio Moral

 

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.