Cuidados no programa de benefícios da empresa

Segundo o guia da Exame As 150 Melhores Empresas para se Trabalhar, 99% oferecem planos de assistência médica e 84% oferecem planos odontológicos aos colaboradores, um bom pacote de benefícios é parte marcante nas organizações listadas, mas mesmo entre as que não constam na publicação a contratação de benefícios vem crescendo com velocidade. Entretanto, recomendo calma e cuidado para não transformar benefícios em armadilhas.

Na pressa de fazer a contratação, muitas vezes o único critério é o preço, ou pelo menos, o mais importante. Entretanto, a contratação de um plano de saúde ou de um seguro de vida implica na aceitação de regras e leis rigorosas, que impõem direitos e deveres.

A conversa com o representante da operadora ou seguradora pode ser deliciosa, mas no frigir dos ovos, vale o que está no papel e muitas vezes, o que está no papel não reflete o que foi dito. É ai que nascem os maiores problemas.

Limite Técnico do Plano de Saúde

Nos planos de saúde empresariais um dos critérios de reajuste é a Sinistralidade ou Limite Técnico. A ANS determina que este percentual deva ser definido em contrato, então o cliente aceita quando assina. Normalmente fica em torno de 70%, isto quer dizer que quando o custo do contrato supera 70% da receita, ele entra no vermelho e este prejuízo deve ser divido com o cliente. O problema é que em alguns casos para conquistar o cliente com um preço atraente, a operadora ou seguradora coloca no contrato um Limite Técnico de 55%. Imagina o que vai acontecer no reajuste?

Seguro de Vida com cobertura por Múltiplo Salarial

Ao contratar um seguro de vida empresarial, a seguradora se compromete a indenizar a morte de um funcionário multiplicando tantas vezes o valor do salário dele. Por exemplo, se o múltiplo é 10, um colaborador que tenha salário de 2 mil reais irá receber uma indenização de 20 mil reais.

Entretanto, ao fazer a conta, a seguradora vai usar como base de referência o salário nominal do funcionário. Como muitas empresas tem optado por fazer parte do pagamento de seus maiores executivos por contrato de consultoria, eles não terão cobertura do seguro de vida. A empresa paga, mas na prática, o funcionário não está coberto.

Idade Limite para o Seguro de Vida

Quando uma seguradora aceita o contrato, na prática, está dizendo que o risco é aceitável. Toda vez que um risco é alto ou foge da análise técnica, ela vai sobretaxar ou até recusar o negócio. Nas apólices de seguro de vida é comum a determinação de idade limite de 60 anos, isto quer dizer que qualquer pessoa com idade acima não será inclusa.

Numa grande empresa da região metropolitana de São Paulo, dos 6 diretores, 4 estão acima da idade limite e fora do grupo de vidas segurado. A solução foi alterar a apólice informando à seguradora exatamente o que era preciso, quatro seguradoras foram consultadas, uma ofereceu um contrato competitivo.

O papel do Consultor de Benefícios

Ao pensar na contratação de qualquer benefício, faça isto através de um consultor de benefícios com habilitação para corretagem de seguros. Todo corretor de seguros, que tenha devido registro da SUSEP sabe que tem responsabilidades perante o cliente e o fornecedor.
Conheça a experiência dele no ramo, alguns de seus clientes e os resultados obtidos. Não confie apenas na propaganda.

Peça a ele mais de uma opção para cada benefício, assim, saberá se realmente está contratando a solução mais interessante.

Se perceber que a orientação é tendenciosa, recuse. A análise deve ser técnica, com justificativas muito claras.

E mais, um mesmo benefício que é ótimo para outra empresa, pode não ser a melhor opção para a sua e vice versa. Se a sua empresa tem características impares, as soluções também devem ser assim.

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.