Corpus Christi e o seu desafio pessoal

Ontem à noite, antes de voltar para casa, por volta de oito horas ainda tinha um último compromisso. Enquanto ia até ele, passando a pé em frente a um grande supermercado, uma senhora sentada, pedia esmolas, encolhida pelo frio. Nestas situações, me defronto com uma das partes mais inflexíveis de minha personalidade. O simples gesto da caridade é muito difícil para mim, porque acabo sempre pensando que “poderia estar trabalhando”, “o dinheiro não será usado para alguma coisa boa”, etc.

Passei pela senhora já discutindo internamente entre minha dureza em julgar e a necessidade que sinto de lidar com isto. Segui em frente mesmo me certificando de que tinha alguns trocados no bolso e que poderia entregá-los sem qualquer problema.

Terminado meu compromisso, voltei pelo mesmo caminho e de longe vi que a senhora continuava lá, antes que meu senso crítico pudesse intervir, enfiei a mão no bolso, peguei os trocados e entreguei à senhora.

Algum tempo depois, já em casa, durante o banho voltei a analisar a situação e percebi que tinha cometido outro erro, além do de julgar. Tinha remediado minha atitude mesquinha e orgulhosa de não doar, mas isto foi pouco. Passei pela senhora ouvindo os meus pensamentos, conversando com meus sentimentos e nem sequer dei boa noite a ela. Não fui capaz de falar com a pobre mulher, nem mesmo me dei tempo de ouvir o que ela sussurrou quando coloquei o dinheiro em sua mão.

Em resumo, passei por ela e não fiz nenhuma diferença. Não fui parte da solução. Juntei-me a uma multidão de pessoas que se cruzam todos os dias sem sequer se notar. Amanhã a Igreja Católica comemora o Corpus Christi, dia que tem a função de lembrar a presença de Jesus Cristo na Eucaristia.

Conta a história que um sacerdote chamado Pedro de Praga, de costumes irrepreensíveis, vivia angustiado por dúvidas sobre a presença de Cristo na Eucaristia. Decidiu então ir em peregrinação ao túmulo dos apóstolos Pedro e Paulo em Roma, para pedir o Dom da fé. Ao passar por Bolsena, na Itália, enquanto celebrava a missa, foi novamente acometido da dúvida. 

Na hora da Consagração veio-lhe a resposta em forma de milagre: a Hóstia branca transformou-se em carne viva, respingando sangue, manchando o corporal, os sangüíneos e as toalhas do altar sem, no entanto manchar as mãos do sacerdote, pois, a parte da Hóstia que estava entre seus dedos, conservou as características de pão ázimo. Por solicitação do Papa Urbano IV, que na época governava a igreja, os objetos milagrosos foram para Orviedoem grande procissão, sendo recebidos solenemente por sua santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca.

Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico. A 11 de agosto de 1264, o Papa lançou de Orviedo para o mundo católico através da bula TRANSITURUS DO MUNDO o preceito de uma festa com extraordinária solenidade em honra do corpo de Cristo.

Meu desafio pessoal agora não é perceber Cristo durante a celebração, é percebe-lo nas pessoas que encontro na rua, no trabalho ou como, aquela senhora, esperando ser notada e tratada com respeito. E o seu desafio pessoal, qual é?

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.