Explodir a pirâmide hierárquica: dinamiza a empresa e valoriza o colaborador

Excesso de cargos e funções, pouco poder de decisão do colaborador, falta de comunicação e transparência entre os níveis hierárquicos dentro da mesma empresa: fatores como esses atravancam o crescimento das organizações.

Muitas empresas acreditam que para ganharem mercado e avançarem no segmento que atuam basta apenas investir em tecnologia e sistemas de produção. Entretanto, a “ferramenta” mais importante que ela conta é o próprio colaborador. Por que, então, com toda a modernização ocorrida em diversos nichos, as empresas ainda se baseiam em teorias de gestão com mais de cem anos de existência e que se baseiam em premissas nada “científicas” para não dizer, como se mostram atualmente falsas? Que nos perdoem Taylor e Fayol.

Ousar e adotar um modelo de gestão diferenciado foi a solução para algumas empresas alavancarem seus negócios e conseguir alcançar resultados mais expressivos, perpetuando suas marcas e tornando-se, cada vez mais, referências em suas respectivas áreas. Renomadas organizações como Toyota, Southwest, Guardian, SEMCO, Handelsbanken, além do Google, fizeram essa escolha após identificarem a necessidade de valorizar o seu colaborador. Será que a maioria das organizações não conseguem pensar e criar uma forma mais flexível de organização que elimine a “camisa de força” que são os contratos fixos de desempenho, por exemplo?

Tatsumi Roberto Ebina, sócio-diretor e fundador da Muttare consultoria de gestão, constata que os maiores desempenhos são conseguidos quando permitimos autonomia, aproveitamento do potencial e uma causa em que a pessoa acredite e não por sistemas de recompensa ou castigo. “O sistema de gestão tradicional, o qual chamamos de comando e controle, cria um ambiente inibidor de mudanças, com poucas inovações, fortemente burocratizada e coercitivo à franqueza e transparência. Tudo isto acaba levando o colaborador a se acomodar, até que surja uma oportunidade melhor e passa a cumprir a tabela com alguns espasmos de performance, procurando muito mais ‘agradar’ o seu superior”.

A criação de inúmeros cargos e funções (que muitas vezes não agregam valor ao negócio) dentro das empresas colabora para ampliar a burocracia e a falta de confiança no ambiente de trabalho. “Temos vários níveis de comando nas organizações e, que na maioria das vezes, não funcionam, mas persistem porque a organização não concede a autonomia de decisão aos colaboradores. Não coloca todos focados em resolver os problemas dos clientes, não inspira o trabalho em equipe, gerando, assim, diversos problemas, e, especialmente, o desperdício de energia, recursos, dinheiro e a não-satisfação do profissional ao executar sua tarefa, entre outras questões”, ressalta Ebina.

A explosão da pirâmide hierárquica e a flexibilização da organização, atuando em células apoiadas pela cadeia de ajuda (composta por líderes e técnicos) estreita e facilita a comunicação entre as pessoas, tornam as organizações mais competitivas, estimula um ambiente de rapidez de respostas e de inovação e criatividade, para além de uma governança ética e transparente. Para o consultor “ter diversas estruturas de comando dentro de uma mesma empresa só reforça a “falta de confiança” em cadeia praticada pela empresa.

Mudança de cultura é essencial antes de qualquer decisão
No entanto, conceder autonomia e poder de decisão ao colaborador, além de diminuir a hierarquia dentro das empresas, estreitando a comunicação e a transparência entre os profissionais, não é tarefa simples de ser executada. O consultor afirma que “é necessário a construção de um consenso em torno da mudança e que começa pelos primeiros homens da organização expressando claramente a mudança para todos dentro da empresa. Em paralelo preparar as lideranças, estimular os colaboradores a se comporem em equipes pensando em como fazer mais, melhor com menos. Todos podendo ser o que potencialmente podem ser na contribuição com a organização, assumindo mais responsabilidades e, consequentemente, maior autonomia de trabalho e aumento de produtividade”.

Essas mudanças de comportamento trazem modificações tanto para as empresas quanto para as vidas pessoais dos colaboradores. “Ter autonomia para tomar decisões com segurança em diversas situações, sejam elas profissionais ou pessoais, ajuda tanto o profissional quanto o ser humano a se desenvolver. Além disso, os resultados para as empresas podem ser sentidos a curto e médio prazo, já que, em termos de redução de custos, o reflexo é imediato”, conclui Ebina.

Tatsumi Roberto Ebina é o sócio-diretor e fundador da Muttare, consultoria de gestão fundada em 2002. Formado em Ciências Sociais e Pedagogia, com pós-graduação em Administração de RH, acumula mais de 30 anos de experiência na área de Gestão e Liderança. Atuou também como executivo em empresas dos setores siderúrgicos, químico, papel e celulose e consultoria.

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.