Sua TV do jeito que você nunca viu

No Dia do Jornalista, não podia deixar de falar sobre Comunicação, mas ao invés de comentar a importância do Jornalista para a sociedade ou ficar lembrando dos meus tempos de repórter de TV, escolhi um artigo de Vítor Elman sobre os possíveis caminhas da TV num futuro muito próximo. São várias alternativas e uma única certeza: ela ainda nos acompanhará por um bom tempo, mas será uma companheira cada vez mais moderna e interativa.


O lançamento do Apple TV traz à tona uma tendência de convergência da nossa conhecida televisão. Desde o surgimento do You Tube e serviços que trocaram o grátis pelo exclusivo, como o Hulu, fala-se do fim da TV. Vemos agora que este fim está bem longe. O que dá para perceber é a mudança no jeito de assisti-la. Estamos migrando de um modo passivo a um modo mais ativo, onde os anunciantes começam a se preocupar em como atingir seus consumidores nesse novo formato. Novos conceitos como o Apple TV, Google TV, Netflix etc vêm dar outra função a TV, contrariando previsões da sua substituição pelo computador.
No Brasil, ainda temos um longo caminho. A TV aberta ainda é extremamente forte, mas percebemos mudanças de comportamento ao constatar um público crescente que assiste a capítulos de novela no YouTube. Em paralelo, temos um interessante nicho que começa a surgir com a chegada, através do mesmo mercado “cinza” que formou o nicho de consumidores do Ipad antes de seu lançamento oficial no Brasil, da Apple TV.
Ao contrário da concorrência, mais uma vez, Steve Jobs apostou contra a maré e lançou a Apple TV sem uma AppStore, modelo já consolidado e de sucesso para o Iphone, Ipad ou Ipod. Segundo o guru, as pessoas sentam em frente à TV para entretenimento e não para acessar um computador. Mas rumores já especulam o lançamento de aplicativos para esse ano. Essa é a característica da Apple que a diferencia do Google: a Apple começa simples e adiciona a complexidade gradualmente, enquanto o Google joga tudo na parede e vê o que gruda. O projeto Google TV é bem mais complexo e conta com busca, aplicativos e Internet, mas, a um preço bem menos acessível.
Assim como o sucesso do mercado de aplicativos para Iphone e Ipad, o lançamento de aplicativos para Apple TV promete ser o surgimento de um novo mercado. Um mercado para desenvolvedores, mas também um mercado para anunciantes conversarem com seus consumidores de uma maneira mais próxima, mais contextualizada e, principalmente, que dribla a inexistência do intervalo comercial.
Não quero me indispor com sir Steve, mas discordo de como caracteriza entretenimento ao assistir TV. A TV e, principalmente a sala de estar, estão em transformação. Uma transformação onde o entretenimento ganha uma maior amplitude. Kinetic, Nintendo Wii, Internet na TV, 3D, são os novos instrumentos para a mesma satisfação que tínhamos ao assistir “Sessão da Tarde” na TV aberta em tempos em que TV a cabo ainda não era cogitada. Aí que surgem as oportunidades para desenvolvedores apostarem nessa nova corrente. Ao instalarmos estes diversos gadgets ficamos ansiosos por cada vez mais conteúdo que os façam valer a pena.
Imagine que, através de aplicativos, podemos transformar uma Apple TV ou uma Google TV em uma plataforma de jogos, de relacionamento em redes sociais e, de quebra, de seriados, programas e filmes. Com o Facetime, aplicativo da Apple que faz chamadas no Iphone 4 com vídeo (http://www.apple.com/br/iphone/features/facetime.html), você poderia falar com alguém que esteja no celular, com vídeo, sentado em sua sala de estar através da TV, para dar um exemplo do largo potencial desta tendência.
Será um mercado lucrativo? Pelos números do iPad e da AppStore, o fenômeno deve continuar. O iPad vendeu 2 milhões de unidades nos seus dois primeiros meses de mercado e a Apple, segundo Steve Jobs, tem pagado aos desenvolvedores mais de US$1 bilhão em receita da AppStore, uma média de quase US$ 4.400 por aplicativo. Na sua taxa de crescimento atual, a AppStore deve passar a marca de 10 bilhões de downloads no início de Abril de 2011.
O entrave para o mercado brasileiro está na burocracia, aparente falta de interesse pela Apple e o custo que esses mesmos aparelhos chegam aqui. A Apple alcançou finalmente, em toda sua história, uma característica de massa… nos EUA. Aqui no Brasil ainda é um nicho utilizado por anunciantes para atingirem um público mais elitizado ou agregar à marca conceitos de inovação através do buzz gerado em torno de seus aplicativos. Já desenvolvedores aproveitam justamente da audiência global para potencializarem suas vendas, nunca focando apenas no mercado brasileiro.
Façam suas apostas. Eu aposto sempre no Steve, mas ele não está, por hora, para guiar o mercado.

Se você gostou do artigo, envie para um amigo ou parceiro de negócios, certamente irá fortalecer seu network. E para receber as atualizações basta assinar o Feed do Caminhando Junto, seguir pelo Twitter ou cadastrar seu e-mail, o serviço é totalmente gratuito.


Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.