Rotatividade: quando a culpa é do líder

Estes dias vivi uma daquelas situações cômicas que nos fazem pensar muito. Num momento em que a retenção de talentos e a escassez de mão-de-obra especializada são assuntos em alta, as falhas de liderança em duas grandes empresas concorrentes criou uma situação no mínimo ridícula, que revela muito sobre os modelos de gestão de pessoas e como jogar dinheiro fora.
Para preservar as empresas e pessoas vou trocar os nomes dos personagens, ok? Bem, José é um executivo da área de finanças especializado em tributação, com cerca de cinco anos de casa já ansiava por um novo desafio interno. A empresa está numa fase de grande expansão e com isto as oportunidades de crescimento são visíveis. Acontece que um novo diretor não foi com a cara do José. Ao mesmo tempo, Sérgio, outro executivo especializado em tributação ocupava o mesmo nível hierárquico de José numa empresa concorrente que também vive um momento de expansão. Diferente do colega, Sérgio já sabia que o modelo de gestão da empresa não valoriza os talentos internos, preferindo recrutar no mercado os ocupantes dos novos cargos, assim, suas chances de crescimento estavam limitadas.

A saída para os dois foi colocar o passe à venda, e acredite, mesmo sem se conhecerem, trocaram de lugar. Um foi ocupar o cargo do outro, na empresa concorrente. Foram recebidos com louros, graças à forte experiência e os resultados obtidos nas antigas casas. Sabem que ganhou nesta história? Apenas os dois, já que foram atraídos por um considerável pacote de benefícios e aumento no salário. Que nota você daria para os líderes destas empresas?

Qual a sensação de jogar o dinheiro da empresa fora? Pois foi exatamente isto que os líderes fizeram. Por falhas deles, desperdiçaram talentos que já estavam em casa, e optaram por pagar mais caro para trazer conhecimento de fora. Você acha que esta cena é rara? Muito pelo contrário. Quantos colegas você conhece que foram trabalhar na concorrência ganhando mais? Levaram conhecimento, treinamento, e, principalmente, motivação, graças à valorização.

Todo o dia converso com empreendedores e recursos humanos ávidos por encontrar o segredo da retenção de talentos. Respeitar e valorizar suas equipes já seriam um grande começo. Converse com seus subordinados, não como um chefe, mas como um líder de verdade, escute seus anseios, seus desejos de crescimento. Torne este diálogo um hábito, é preciso que tenham confiança de falar e de ouvir.

 Não seja o culpado pela perda de talentos, não rasgue o dinheiro da empresa. Aproveite a oportunidade, olhe para sua equipe e se questione quando foi a última vez que conversou com cada um, separadamente, sem ficar berrando palavras de ordem ou xingamentos. Esta pode ser a sua oportunidade de crescimento. Pense nisto.
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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.