Como modificar o ‘drive mental’ do colaborador

Vazamento de informações, problemas de gestão e de relacionamento, falta de comunicação entre equipes, rédeas curtas para controlar os colaboradores e a falta de confiança nos mesmos: até que ponto é possível envolver o colaborador dentro de uma cultura para evitar problemas como os citados acima?


A unidade de armazenamento do ser humano é muito semelhante ao de um computador. Seu cérebro absorve os ensinamentos do dia-a-dia e os guarda para utilizar no momento adequado. Entretanto, uma diferença significante é que as empresas não lidam apenas com máquinas para obterem o seu crescimento, lidam essencialmente com pessoas, que podem tanto ajudar a organização, ou, então, atrapalhar a sua grande função que é a satisfação de seus clientes.

Tatsumi Roberto Ebina, sócio-diretor e fundador da Muttare consultoria de gestão, afirma que “muitas empresas não valorizam o colaborador, outras sequer os respeitam. E valorizar não se refere apenas a questão da remuneração. O que conta verdadeiramente é que as pessoas precisam ser respeitadas naquilo que elas são. Na medida em que estão dentro da empresa passaram por um processo de seleção que as qualificou e as identificou com os valores e competências requeridas para aquela organização”.

Por que, então, estes profissionais não conseguem ser o que podem dentro das organizações? Ebina reforça que “primeiro porque existe uma série de departamentos e cargos que deveriam atuar de forma integrada e cooperativa, o que, de fato, não acontece, especialmente em empresas de estrutura hierarquizadas, que as torna ainda mais complexa porque a competitividade predatória é alta. As pessoas precisam manter uma imagem que assegure o seu crescimento dentro da estrutura. Ela precisa ser um escolhido entre muitos. É preciso modificar o comportamento predominante nas organizações, mudar o ‘drive mental’ do ser humano. Tendo confiança no trabalhador é possível evitar perdas muito mais expressivas para as organizações”.

A pesquisa U.S. Cost of a Data Breach, realizada pela Symantec e o Ponemom Institute, com 51 empresas norte-americanas de diferentes setores, revela que o valor médio do vazamento de dados para as empresas aumentou para US$ 7,2 milhões e gerou prejuízo de US$ 214 por registro comprometido. Por que os profissionais correm o risco de serem apanhados? Por falta de controle? Não, já que é impossível controlar o ser humano. Os dados apresentados reforçam a tese que a falta de confiança no colaborador pode levar a empresa, em muitos casos, a ter grandes dificuldades para crescer.

“As empresas têm o poder de modificar o pensamento e alinhar os valores dos colaboradores com os seus. Porém, existe uma lacuna entre o que as empresas pregam em seus discursos e o que elas realmente praticam para dar mais autonomia aos seus funcionários. Impedir que os mesmos exerçam um papel de maior destaque inibe o mesmo de crescer. E essa insatisfação pode resultar em comportamentos prejudiciais para as empresas”, ressalta o especialista em liderança de pessoas.


Confiança no colaborador gera retorno imediato

Ao conceder poder de decisão aos seus colaboradores, as organizações podem sentir, até no curto prazo, algumas mudanças positivas. Ebina ressalta que “o ambiente de trabalho fica ‘mais leve’ e a comunicação da equipe de trabalhadores fica mais alinhada em busca de um só objetivo: a solução de um possível problema, seja ele de qualquer esfera. Eles encontram uma causa pela qual lutar”.

Envolvendo o colaborador em decisões que corresponde às responsabilidades e competências, cada colaborador poderá sentir-se mais útil dentro das organizações. “Isso, automaticamente, refletirá na satisfação de participar e ajudar a instituição, diminuindo, assim, consideravelmente as chances dele jogar contra o próprio time (empresa)”, conclui Ebina.

Tatsumi Roberto Ebina é o sócio-diretor e fundador da Muttare, consultoria de gestão fundada em 2002. Formado em Ciências Sociais e Pedagogia, com pós-graduação em Administração de RH, acumula mais de 30 anos de experiência na área de Gestão e Liderança. Atuou também como executivo em empresas dos setores siderúrgicos, químico, papel e celulose e consultoria.

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
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