Da gestão familiar para uma multinacional: o olhar do RH

Diretor de RH da Fagor Ederlan Brasileira comenta as mudanças do RH em 10 anos

image Entender as mudanças no RH é essencial para um trabalho perene e eficiente. A Fagor Ederlan é uma das mais tradicionais industrias do Sul de Minas, iniciou sua história como Fundição Brasileira e agora completa 10 anos da incorporação por uma multinacional espanhola que compõe o maior grupo cooperativo de trabalho do mundo. A trajetória da gestão familiar para uma nova cultura, a evolução das boas práticas de RH e os desafios da atração e retenção de talentos, são alguns dos pontos do bate-papo com o diretor de recursos humanos, Marcos Kraide.

1) Marcos, o décimo aniversário de uma empresa é sempre uma marca e cada setor tem sua parcela especial de comemoração. Se tivesse que escolher um momento marcante no RH da Fagor, qual seria?

Eu tenho certeza de que o momento marcante foi o que trouxe a expectativa da mudança. Nova cultura, desta vez trazida por uma Organização multinacional, a contrapor-se à cultura da então “Fundição Brasileira”, empresa familiar. Era o desconhecido contra o conhecido, trazendo tanto oportunidades quanto ameaças.

O RH, naquele momento de transição, trabalhou este efeito com os colaboradores da Fagor e isto exigiu atenção personalizada e grande dose de confiança na nova Organização.

2) O Grupo Mondragón é a maior cooperativa do mundo, isto muda a maneira de ver o RH?

A “Mondragón Corporación Cooperativa”– MCC é, de fato, a maior cooperativa de trabalho em todo o mundo, sendo constantemente estudada por organizações brasileiras. O sistema de trabalho da Fagor Ederlan Brasileira é diferente do que é utilizado pela MCC, no País Basco, pois lá os Colaboradores não têm vínculo empregatício, sendo, portanto, donos do próprio negócio. Evidentemente isto traz uma visão diferenciada na operação diária, com maior comprometimento com atividades que geram resultados e com maior envolvimento na tomada de decisões.

De qualquer modo, o RH da operação brasileira tem muita força na definição das práticas de relacionamento interno e o respeito ao Ser Humano é levado em alta conta. Procura-se manter os empregos, mesmo em situações de mercado turbulento, assim como se dá oportunidade para que as pessoas melhorem seu desempenho, antes de uma eventual demissão. Existem também diversos programas para envolver e motivar os Colaboradores e seus Familiares, com a participação de Diretores e da própria Presidência.

3) O perfil do RH na Fagor mudou nestes 10 anos?

Não há dúvidas de que mudou, para acompanhar a avassaladora necessidade de mudança trazida pela demanda de mercado. Hoje há que se preparar colaboradores para o inesperado, há que se adquirir novas competências em curto prazo e isto requer, mais do que nunca, as pessoas certas nos lugares certos. A busca constante pelo que costumamos chamar de “Qualidade Pessoal” e a disseminação de uma Cultura de Comprometimento também tem merecido grande atenção dos Gestores de Pessoas.

4) Extrema vive intensamente o desafio de atrair e reter talentos, como a Fagor tem visto este momento?

Atrair e reter talentos são, hoje, grandes desafios para o RH da Fagor, tarefa não muito diferente da que têm os colegas que atuam em outras Organizações. O Brasil acompanha o alucinante pulsar da atividade de consumo em todo o planeta, mas algo muito especial tem acontecido nos últimos anos com a cidade de Extrema, no Sul de Minas Gerais. Com a vinda de muitas Empresas, sobretudo do ramo industrial, para a região, hoje vivemos um momento de “dança das cadeiras”, em que profissionais das mais diferentes áreas sentem-se motivados a procurar alternativas de carreira, sem terem sequer de mudar suas residências. Trabalho dobrado para o a nossa Equipe de RH, que precisa utilizar-se de criatividade e competência técnica para atrair e reter talentos.

5) Como coordenador do “Clube de RH de Extrema e Região”, é possível perceber como os outros profissionais estão lidando com as mudanças em Recursos Humanos?

Sim, e para mim esta experiência tem sido fantástica. Eu já havia coordenado, em duas gestões, o Grupo de Diretores e Gerentes de RH de Campinas, o que despertou em mim um sentimento de Missão. Cuidar das “pessoas que cuidam de gente” nas empresas é algo único e gratificante. Os profissionais de gestão de Pessoas têm compreendido que sua visão deve ser, em muito, expandida, para abranger a preocupação com o negócio e não estar voltada, simplesmente, para as questões legais trabalhistas e documentais. A troca de experiências e o desenvolvimento contínuo que o “Clube de RH” tem proporcionado aos seus participantes têm feito a diferença para muitos profissionais de RH.

6) Sua experiência na Gestão de Pessoas vem sendo compartilhada através das palestras e treinamentos organizados pela MKCA. Como tem sido esta experiência?

Desde que, há cerca de 15 anos, montamos a nossa Consultoria, temos tido a gratificante experiência de apoiar os esforços empresariais no sentido de transformar seus trabalhadores em geradores de resultados. Hoje o colaborador de qualquer organização deverá ter o seu foco não apenas voltado para as atribuições ditadas pela sua descrição de cargo, mas sim direcionadas para a lucratividade da empresa. Empresas que tem sustentabilidade financeira geram e mantêm empregos, garantem benefícios competitivos e constroem um excelente ambiente para se trabalhar. Sendo assim, a nossa Missão tem sido ajudar tanto Empresários quanto Empregados a atenderem suas necessidades e também a se realizarem através da atividade laboral. Nossa Equipe tem muito orgulho de fazer o que faz e sempre atualizamos nossos conceitos, pois atuamos num cenário de frenéticas mudanças.

7) O mais novo evento da MKCA é uma grande noite com o professor Pachecão, qual deverá ser a grande mensagem da noite?

O Professor Pachecão é um ser humano diferenciado e único em sua categoria de atuação. Ele foi o primeiro, em todo o país, a praticar o que hoje conhecemos como “Palestra-Show”. Faz-nos rir e então, quando estamos relaxados, nos ensina como poucos o fariam. Este é o terceiro Evento com ele, no Sul de Minas e Região Bragantina, do qual fazemos parte direta. Suas duas apresentações anteriores foram um espetacular sucesso, com lotações esgotadas e fila de espera. Desta vez não será diferente, e a grande mensagem da noite será “como ter sucesso mantendo a qualidade de vida”. Certamente um grande desafio para a maioria de nós que, normalmente temos de optar ou pela dedicação quase doentia da busca por resultados ou pela inércia que conforta e acalma, sem gerar, entretanto, benefícios financeiros. O tema central é “Espiritualidade no Trabalho”. Simplesmente imperdível!

Serviço:

Palestra: Espiritualidade no Trabalho com professor Pachecão

Dia: 22/março – 3ª feira

Local: Clube Literário de Extrema

Informações: (11) 4034 5555 ou (35) 3435 5087

 

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.