Você é solidário só no câncer?

Teria o poeta previsto tanta destruição?

image Enquanto lia mais uma vez as manchetes na internet à respeito da tragédia das enchentes em Minas e Rio, lembrei de uma frase muito famosa: “mineiro só é solidário no câncer”. De tão repetida nunca consegui descobrir sua autoria com certeza, indo de Drummond à Otto Lara Rezende, mas o que importa não é quem disse, mas o seu sentido. Diante de tantas mortes e tamanha destruição é impossível não ser solidário, homens e mulheres sentem o coração apertado diante das imagens e das histórias.

Será que estas tragédias então servem apenas para lembrar ao homem sua pequenez diante do mundo? Pode ser que tudo não passe de um puxão de orelha para que voltemos a nos comportar com mais humildade diante dos outros? A enchente em Petrópolis e cidades vizinhas atingiu com igual fúria ricos e pobres, honestos e pilantras, gente boa e quem merecia partir. Mas o seu efeito tem sido enorme mesmo é sobre aqueles que estão longe, vendo tudo na segurança do lar, pela TV.

A lição de dor e sofrimento das enchentes no Rio e em Minas mostra mais uma vez que tudo é passageiro e efêmero, frágil. O carro do ano, a casa de vários quartos, o cavalo premiado, tudo ficou com a mesma cara depois da avalanche de lama. Tudo o que importa agora é comer, mesmo que não seja o caviar ou a picanha; o agasalho pode ser velho e até desbotado que será muito bem vindo; o abraço pode ter cheiro de suor e mesmo assim será valioso demais.

“O mineiro só é solidário no cancer” talvez queira dizer isto mesmo, que diante de uma sentenção tão dura, qualquer um amolece e acolhe. O bom mesmo seria saber disto sem a necessidade das tragédias.

 

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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.