Cultura Corporativa: o desafio de praticar valores e princípios


Como sair do discurso para a prática

gestão_e_liderança Um dos fatores mais importantes para criar uma excelência em serviços acima da média é construir uma cultura corporativa orientada para esse aspecto. E isso se aplica à organização como um todo e não apenas para um departamento ou outro. A consultora, Valérya Carvalho, mostra o que não pode faltar neste caminho.

Quando uma empresa nasce, seja ela de qualquer segmento ou tamanho, a cultura corporativa evolui naturalmente, por conta do alto nível de empowerment e descentralização que as pessoas possuem. À medida que esta mesma empresa cresce é necessário se certificar que essa cultura está sustentada pelos seus valores e princípios, para que ela possa caminhar na direção desejada e manter o empowerment e a confiança aprofundando no modelo descentralizado alinhado com o ambiente.

Só dedicando tempo e recursos para administrar a sua cultura organizacional que se assegura que toda a organização fale a mesma língua e que, de fato, entenda o valor de um serviço de excelência.

O que é necessário, então, para criar este ambiente ou esta cultura?

Em primeiro lugar é necessário olhar para as pessoas. É necessário ser criado um ambiente que proporcione às pessoas prazer no trabalho. Dar autonomia, permitir a circulação livre da informação e a liberdade de comunicação e debate, independentemente de hierarquia. Onde importa menos o cargo e mais a capacidade de colaborar, convencer, influenciar e organizar uma rede. Reunir pessoas que pela teoria Y da natureza humana são criativas e inteligentes, dar a elas uma missão clara, desafiá-las com metas difíceis – porém, possíveis de serem alcançadas – e deixar que, para cumpri-las, elas se organizem da maneira mais livre possível, baseado em alta dose de autonomia e de responsabilidade individual ao mesmo tempo.

Niels Pflaeging, em seu livro ‘Liderando com Metas Flexíveis’ diz que em organizações pós-taylorista, portanto, descentralizadas, se encontra toda uma série de conceitos empregados de maneira bastante uniforme, a saber:

· Integridade e abertura;

· Democracia;

· Responsabilidades e responsabilidade própria;

· Autorealização e aprendizado;

· Confiança e cooperação;

· Prazer e alegria com o trabalho, prazer com o desempenho e divertimento;

Os executivos, diretores e ou gerentes, nessas empresas não são os principais tomadores de decisões. A descentralização significa que as decisões são tomadas pelas pessoas que estão mais próximas possíveis do mercado ou do cliente. Os diretores e gerentes se tornam consultores e apoiadores de suas equipes em relação a todos os problemas importantes que digam respeito à organização. Não é simples comprometer executivos com este tipo de princípio.

As empresas, atualmente, definem “liderança” como sinônimo de alta gerência. Quando se fala do desenvolvimento dos líderes ou das “qualidades dos líderes”, em geral se faz alusão ao mais alto nível de executivos apenas. Essa compreensão nos leva a duas considerações importantes. A primeira que exceto os diretores e gerentes o resto não são líderes e, portanto, não lideram. E segundo, essa definição equipara liderança a hierarquia e tira a autonomia do conceito de liderança, o que nos leva a entender que ‘Líder’ é um cargo. Quem está em cima lidera, e quem está embaixo executa.

Entretanto, é importante relembrar que o líder como soberano e chefe é uma página virada, porque os ambientes de negócios já mudaram e estão em dissonância com o comando e controle. Sabemos que a parceria e o empowerment são hoje as práticas que produzem organizações com alto desempenho.

Isso mostra que nós temos hoje, finalmente, a oportunidade de construir organizações com uma gestão coerente com a natureza humana, empresas nas quais é prazeroso trabalhar. Em que cada pessoa pense e tenha a oportunidade de agir como um empreendedor e que essa alternativa funciona de maneira sustentável e duradoura, criando valor.

Valérya Carvalho é consultora associada da Muttare, consultoria de gestão (www.muttare.com.br). Co-fundadora e associate do Beta Codex Network (www.betacodex.org) e Presidente da Beta Leadership Advisory. Formada em administração de empresas com MBA em Finanças pelo IBMEC e Controladoria pela USP tem mais de 20 anos de experiência como executiva em empresas líderes de mercado.

 

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.