Como você encara a diversidade?

Saia do discurso e vá para a prática

dia_da_consciencia_negra No Dia da Consciência Negra (20 de novembro), o tema “diversidade nas empresas” levanta uma série de questões sobre o preconceito racial e a inclusão existente nos ambientes de trabalho. Segundo uma pesquisa do Instituto Ethos e do Ibope Inteligência, divulgada na primeira semana de novembro, somente 25,6% dos gerentes das 500 maiores empresas brasileiras são negros, o que revela a baixa taxa de diversidade racial nas companhias nacionais.

Mas essa variedade nos espaços profissionais refere-se apenas à inclusão de afrodescendentes? Antes de tudo, é fundamental acabar com a falsa ideia de diversidade, que geralmente associa o tema à distinção entre raças. O assunto é amplo e faz parte da vida em sociedade, já que existem diferenças de culturas, idades, religiões nas empresas, nas escolas ou em qualquer outro lugar.

Diante disso, fica a reflexão: como seria se fôssemos todos iguais? As diferenças, quaisquer que sejam, são importantes para intensificar a noção de indivíduo. Melhor ainda é entender que, quando integramos pessoas diferentes, também criamos um novo indivíduo, formado por ideias e pensamentos que se unem. Então, qual a importância da valorização da diferença nos ambientes profissionais? Como integrar pessoas distintas e formar uma equipe vitoriosa?

Podemos pensar em uma empresa diversificada exatamente como um indivíduo constituído de seres que se complementam. No ambiente profissional, cada funcionário desempenha seu papel e contribui para os resultados e o sucesso da empresa. Nesse caso, destacam-se os espaços de trabalho mais colaborativos e que permitem a troca de ideias e o debate das melhores soluções para o desenvolvimento da organização.

Mas tolerar a diversidade não é a forma mais adequada na integração entre as pessoas dentro das empresas. É essencial, sobretudo, valorizar as individualidades e reconhecer que elas poderão resultar em contribuições inestimáveis para o trabalho em equipe. Além disso, é fundamental eliminar o preconceito, que ainda permanece grande nos ambientes de trabalho. De acordo com um estudo recente feito em São Paulo, 60% dos casos de racismo acontecem nos espaços profissionais. Esse dado nos faz pensar seriamente sobre a variedade nas organizações e, diante disso, a diversidade não pode ser ignorada.

É válido destacar ainda que o incentivo à diferença dentro das empresas, por meio da contratação e valorização de grupos distintos da sociedade, melhora a imagem dessas organizações. Em um mundo no qual as informações são veiculadas rapidamente, os consumidores estão mais exigentes e preferem companhias que desenvolvam produtos e serviços inovadores e apliquem técnicas diversificadas.

Nesse sentido, a efetiva aplicação da diferença nos ambientes de trabalho tende a gerar bons resultados por meio de práticas não só inclusivas e integrativas, mas também entendam o profissional e suas necessidades individuais. Entram no conjunto dessas atitudes, somente para citar um exemplo, o acesso à empresa e ferramentas de trabalho adaptados para deficientes físicos.

E você, como está lidando com a diversidade na empresa em que atua? Como é a relação com as pessoas que têm pensamentos diferentes dos seus? Se ainda não pensou nestas questões, é importante começar, pois a integração é um dos passos essenciais para uma boa relação entre as pessoas. E dentro das empresas, o grande diferencial fica por conta da soma das riquezas individuais, sejam elas experiências, valores, crenças ou limitações.

Essa construção coletiva certamente resultará em bons projetos para a organização que caminha rumo ao sucesso. Além disso, é fundamental que haja medidas alternativas de modo a atender todos os profissionais, indistintamente. Portanto, não ignore a diversidade. Valorize o diferente como um complemento para sua própria personalidade.

Antonio Carlos Pereira é consultor, palestrante e sócio-diretor da Areté, empresa especializada em treinamento e desenvolvimento profissional. www.antoniocarlospereira.com

 

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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.