O valor das atitudes que custam zero

Pequenos gestos que mudam muita coisa

sustentabilidade Você acredita que as melhores coisas da vida não custam nada? Muitas pessoas analisam essa máxima como uma falsa impressão de felicidade para os momentos mais difíceis dos nossos “bolsos”. Mas, para aqueles que praticam a solidariedade, essa é a verdade que move e incentiva suas atitudes, pensamentos e sentimentos. Afinal, é possível etiquetar um valor para o sentimento de ver uma pessoa confortada em um casaco antigo que estava esquecido no seu guarda-roupa?

Costumamos ter dias comemorativos para repensar e saudar determinadas situações e pessoas de nossas vidas. A verdade é que o assunto solidariedade não pode esperar um dia especial para se pensar no assunto. O trabalho voluntário significa fazer o bem desinteressado. A melhor tradução para essa ação é realmente aquela que muitos dizem por aí: fazer o bem sem olhar a quem. O ato de realizar algo bom para o próximo é quase que um ato refletido no espelho, o sentimento de gratidão e esperança que as pessoas ajudadas por aquele voluntário celebram é sentido também pela pessoa que o ajudou.

Segundo o Programa dos Voluntários das Nações Unidas (UNV), todos os anos, mais de 7.000 pessoas, entre homens e mulheres, de mais de 170 nacionalidades atuam como voluntários da ONU. E mais, 60% deles acabam atuando em países que não são os seus. No Brasil, o projeto criado em 1998, conta hoje com a parceria de empresas de diferentes segmentos, como clubes, ONGs, escolas, igrejas, entre outros. Profissionais das mais diversas áreas e crenças doam parte de suas vidas para ajudar a melhorar a condição da vida de outras pessoas.

Assim como os voluntários internacionais, conheço grupos que recolhem roupas usadas, sapatos, alimentos não perecíveis em suas cidades e acordam antes do sol nascer para preparar um café da manhã. Essa refeição é feita com alegria, com carinho e atenção. Depois de preparado o leite, o pão e as bolachas, esses voluntários carregam seus veículos com as peças de vestuários, lavadas, passadas e separadas, para distribuírem aos moradores de rua da sua região. Mais que doar materiais básicos de sobrevivência, como alimento e roupa, essas pessoas buscam ouvir, conversar e entender os desprovidos de riquezas que os procuram.

Essa singela atitude é impagável para aquele que a recebe e, para quem o faz, é mais que uma realização: é o cumprimento da sua missão, dos seus valores e da sua visão sobre as atividades que realmente importam para ele. A capacidade de poder dividir momentos de tristeza, de alegria e esperança é uma das melhores qualidades do homem e deve ser constantemente aplicada para lembrarmos, em meio à correria diária, o quanto precisamos dos próximos, mesmo aquele que não conhecemos.

Assim, existem inúmeras maneiras de dar a alguém todo o conforto que você possui, seja material ou emocional, e transmitir seus valores. Pode-se trabalhar em uma escola, em igrejas, em creches, associações beneficentes para pessoas com deficiência, etc. Basta você pesquisar e analisar em qual área você será mais prestativo e se sentirá mais realizado.

Solidariedade e voluntariado são atitudes que começam em você. Desejar sentir algo, como a alegria de contribuir para o próximo sem esperar absolutamente nada em troca, é um estado de doação plena, esse é o maior benefício de alguém que valoriza as coisas essenciais da vida. Praticar a solidariedade ensina que a experiência da vida é o tempo todo única, porque nós podemos nos transformar e evoluir a cada minuto. E isso se torna ainda mais intenso quando contribuímos para o desenvolvimento daqueles que nos cercam. Quando falamos de autorealização, nos referimos ao sentimento que nasce ao ver o brilho de um olhar repleto de gratidão de uma pessoa que se beneficiou com a nossa contribuição. Quem já viveu essa experiência sabe do que estou falando, quem não viveu, não perca nenhuma oportunidade de experimentá-la. Doar-se de corpo e alma para uma causa alheia é o bem mais valioso que podemos carregar para o resto de nossas vidas.

Anderson Cavalcante É administrador de empresas com ênfase em Marketing e MBC pela University of Florida. É autor dos best-sellers “O que realmente importa?” e “As coisas boas da vida”.

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.