Kopenhagen: tradição e investimento para crescer

kopenhagen_chocolate Quando o casal de lituanos Anna e David, ela pianista, ele estudante de medicina desembarcaram no Brasil em 1927, jamais imaginariam que dariam início a uma das marcas mais bem sucedidas na indústria nacional. Muita coisa mudou, os números cresceram mas a tradição se manteve assim como o sobrenome: Kopenhagen. Hoje a nova fábrica do grupo CRM, que mantém as marcas Kopenhagen, Brasil Cacau e Dan Top foi oficialmente inaugurada em Extrema, o maior investimento da empresa até aqui.

Ao chegar na unidade, no Sul de Minas, há 100 Km da capital paulista, o forte vento da Mantiqueira deu as boas vindas e um céu muito azul garantiu a moldura perfeita para a cerimônia que contou com os executivos do grupo, políticos, empresários e convidados. Todos puderam participar de um tour por dentro da operação para conhecer de perto os segredos das delícias do chocolate Kopenhagen. Meu grupo teve como guia o diretor industrial, Fernando Francalassi, e se não soubesse o seu cargo, poderia jurar que era um vendedor da empresa, tal a empolgação nos comentários.

Como todo tour por dentro de uma fábrica, tivemos uma visão do processo produtivo, e a cada etapa, números e dados chamavam a atenção. Por exemplo, o baixo nível de automação, o que garante um trabalho ainda muito artesanal. A unidade já emprega 900 pessoas e deve receber ainda neste mês de setembro mais 300 colaboradores que vão garantir o aumento da produção destinada ao Natal. Em todos os produtos há um grande número de processos manuais, em alguns, o banho de chocolate é feito com a ajuda de um garfo, um a um. Mas foi na sessão de preparo do chocolate em que pudemos aprender a grande diferença entre um produto premium e um popular.

A massa que irá se tornar o pecado preferido dos chocólatras, é preparada em máquinas chamadas conchadeiras, responsáveis por bater o produto por 72 horas liberando o aroma e realçando sabor. “Numa produção em grande escala, este processo é feito em média em 8 horas, esta diferença pode ser percebida na ponta da língua. Quando o chocolate derrete no céu da boca, se for um bom produto não deixará nenhum grânulo, já um produto popular deixará alguns.’’ ensina Francalassi. Outra curiosidade no setor foi observar máquinas quase centenárias ainda em uso, totalmente restauradas.

Segundo o diretor industrial, se a Kopenhagen optasse por automatizar determinados processos, a qualidade do produto, seria inevitavelmente alterada. “Com um posicionamento de mercado muito específico, qualquer alteração na qualidade do chocolate é um grande risco”, alertou. Mas a tradição não impede a modernidade, a nova fábrica recebeu investimentos de R$ 100 milhões, dezesseis deles destinados a automatizar uma das etapas, garantindo um forte aumento na capacidade produtiva.

Tamanho investimento tem razão de ser, apenas a marca Kopenhagen deve faturar em 2010, R$ 186 milhões, com uma venda de 2 mil toneladas de chocolate. A Brasil Cacau deverá responder por R$ 15 milhões e a Dan Top por R$ 3,5 milhões. A segunda marca tem sido a menina dos olhos dos prorietários do grupo CRM, sendo um projeto pessoal da vice presidente executiva, Renata Moraes Vichi, que deseja chegar a 2012 com 500 lojas franqueadas, segundo ela, “há na fila de espera cerca de 3 mil investidores interessados na franquia”.

Ao longo do passeio, houve apenas um momento em que o diretor industrial pediu para que as máquinas fotográficas e filmadoras fossem desligadas. No preparo da Nhá Benta, um dos produtos mais tradicionais da Kopenhagen, completando 60 anos em produção. Tanto cuidado se justifica, a cada minuto 40 Nhá Benta são vendidas no Brasil.

Já no momento dos discursos, o presidente da Associação Brasileira das indústrias do setor, Getúlio Ursolino Neto, apresentou números que motivam muito trabalho. “O Brasil é o 4º maior fabricante de chocolate no mundo, com 90 milhões de consumidores habituais e outros 50 milhões de consumidores eventuais, lembrando que há ainda muito espaço para novos negócios”.

Diante do que vimos, é possível acreditar que ainda haverá um futuro feito de chocolate.

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