Mulheres no comando das empresas familiares

O sonho do pai nem sempre é o sonho do filho, mas e se for o mesmo da filha? Entenda porque cada vez mais a presença feminina aparece no cenário da sucessão familiar

executiva Elas possuem o dom de dar a luz. O poder de amamentar. Amadurecem mais cedo. São muito sensíveis. Preferem agir com a emoção ao invés da razão. Lutaram por igualdade queimando o próprio sutiã. As conquistas aconteceram através de um longo e lento processo e com todos esses valores elas ganharam uma data só pra elas: o oito de março, Dia Internacional da Mulher, data que representa todas as conquistas e méritos do “sexo frágil”.

Ao longo da história muitas mulheres marcaram época no cenário mundial, mas foi somente a partir dos anos cinquenta que as seguintes décadas foram marcadas por lutas por igualdade e justiça. E mesmo hoje, apesar de as mulheres ocuparem cargos de alto padrão como a presidência da República e de os movimentos feministas estarem praticamente extintos, as mudanças no cenário econômico e empresarial existem, ainda que de forma sutil.

A história das empresas familiares no Brasil é vasta, talvez tão longa quanto a própria história do país, já que o início foi marcado pelas empresas rurais adquiridas por doação dos senhores feudais, em uma época em que se subdividiam as capitanias hereditárias, antes do nascimento da indústria. Porém o surgimento da presença feminina na sucessão familiar é recente. E mesmo sendo uma das principais fontes geradoras de emprego no país, com dois milhões de empregos diretos e participação significativa no PIB brasileiro (segundo o BNDES as empresas familiares representam 34% da indústria) as mulheres entraram no ramo sucessivo como herdeiras dirigentes à apenas 15 anos.

Um dos maiores empecilhos dentro das corporações é o processo de sucessão, normalmente porque o pai (fundador) idealiza a perpetuação do seu negócio, do qual dedicou dias e noites da maior parte da sua vida, o fundador não quer que sua empresa venha a falecer e seja enterrada junto com ele, o conflito entra quando o sonho do pai não é o mesmo sonho do filho, mas e se o sonho do pai for o mesmo de filha?  

O especialista em profissionalização e sucessão de empresas familiares, diretor e sócio da DS Consultoria, prof° Domingos Ricca, acredita no potencial das herdeiras no processo de sucessão familiar. “Hoje as filhas estão incluídas no processo preparatório e por terem uma maior afinidade com o pai (fundador) acabam pegando um jeito com a gestão, entendendo sua liderança e carisma, na importância do processo de perpetuação da empresa. Tem mais tato, sensibilidade para lidar com os problemas de divergências familiares no processo sucessório, tem o lado mais paternalista também como o próprio fundador.”

Ricca explica quais os aspectos positivos que uma alma feminina pode oferecer na gestão de uma empresa familiar. “A sucessora tem a imagem do pai como o herói de sua vida. Na empresa ela consegue gerir com  uma facilidade maior, pois consegue entender a cultura e o valor da empresa. Sabe o poder da credibilidade e da palavra por ter uma convivência maior com o fundador, no caso o pai. A intuição e sensibilidade para as decisões são aspectos femininos que se reforçam baseados nos ensinamentos que ela viveu na empresa enquanto filha que ficava com o pai.”

Assim como qualquer mulher inserida no mercado de trabalho, as herdeiras encontrarão empecilhos no caminho do sucesso profissional, entre eles está à dúvida de como se comportar, já que os aspectos sociais e culturais reforçam o estereótipo masculino como lideres corporativos, conflitos entre papéis e relacionamentos interpessoais. Em um estudo com 91 mulheres, descobriu-se que apenas 27% esperavam entrar no negócio da família. As razões que elas deram para seu ingresso na empresa incluíam ajudar a família, ocupar uma posição que ninguém queria e insatisfação com outro emprego. Descobriu que as mulheres pesquisadas não haviam planejado uma carreira na empresa familiar, entrando no negócio apenas para apoiar a família durante uma crise ou porque suas outras opções eram ainda mais indesejáveis.

Nesta segunda feira Nicolas G. Hayek, a figura máxima do Grupo especializado em relógios Swatch, foi vítima ataque cardíaco no seu escritório na Suíça vindo a falecer aos 82 anos, e a sua filha Nayla Hayek, que passa a ocupar a hierarquia máxima do império. Domingos Ricca conta que a DS Consultoria já trabalhou em casos de sucessão feminina, entre eles estão as empresas Santa Cruz e a Comercial Roma, ambas as gestões foram bem sucedidas. Ricca acredita que a opção de colocar a filha em um cargo de grande responsabilidade como a direção da empresa é muitas vezes uma alternativa de sobrevivência e perpetuação nas próximas gerações, já que as mulheres vêm assumindo posições estratégicas para o futuro do negócio.

Domingos Ricca é Sócio – Diretor da DS Consultoria Empresarial e Educacional e da Revista Empresa Familiar. Consultor especializado em empresas familiares. Certificado em Governança Corporativa pela SQS Suíça e Fundação Vanzolini, realizada em Buenos Aires Argentina. PhD em administração, professor de graduação e pós-graduação, autor de livros sobre os temas: empresa familiar e marketing de varejo. E-mail: [email protected].

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
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