Liderança em situações de grande risco

As lições que uma missão fracassada pode ensinar

expedicao_schakleton “Recruta-se homens para jornada perigosa. Salários baixos, frio extremo e longas horas de escuridão completa. Retorno em segurança duvidoso. Em caso de sucesso: honra e reconhecimento”. O ano era 1914 e, com este simples e objetivo anúncio, o inglês Ernest Shackleton procurava candidatos para sua mais nova aventura: atravessar de um extremo a outro a Antártica, em um percurso de 2,9 mil quilômetros.

Não era a primeira vez que Shackleton tentava alcançar o Polo Sul. Ele participara de duas expedições mal sucedidas anteriores – chegara mais perto na segunda, em 1908, quando foi obrigado a retornar quando se localizava a 146 km do destino final. O inglês partiu para a terceira tentativa a bordo do veleiro Endurance no dia 1º de agosto de 1914, comandando uma equipe de 27 homens.

A aventura, entretanto, falhou em alcançar quase todos os seus objetivos. Os problemas começaram quando o veleiro foi tragado pelo gelo e os homens a bordo se viram obrigados a passar seis meses sobre o mar congelado. Quando começou o degelo, todos partiram em barcos de menor porte rumo às ilhas Elefante, onde Schackleton deixou para trás 22 de seus subordinados para prosseguir com o restante da equipe até as ilhas Geórgia do Sul, em uma travessia de 16 dias e 1,1 mil quilômetros. De lá, partiu em busca de ajuda nas estações baleeiras do lado norte da ilha. Com o sucesso da empreitada, iniciou o resgate dos demais, que só terminaria no verão de 1916. Todos os tripulantes sobreviveram.

Apesar do insucesso na missão, Schackleton, apelidado de “Boss” por seus companheiros, se tornou um modelo de liderança e, em particular, um mestre na arte de liderar em meio à crise. Prova disso é que cinco anos depois do desfecho da aventura, o inglês organizou nova expedição e sete dos tripulantes originais se candidataram novamente. Schackleton, no entanto, não pôde realizá-la, já que faleceu um pouco antes da partida.

A principal lição aprendida com Schackleton é de que a liderança faz a diferença em qualquer ambiente. Líderes verdadeiros são capazes de criar uma sinergia na equipe suficiente para distinguir o sucesso do fracasso. Se no caso do Endurance estava em jogo a vida dos tripulantes, no mundo corporativo vale a prosperidade ou o fim da organização.

Não são poucos os exemplos de líderes empresariais com o mesmo perfil de Schackleton, que sabem conduzir suas empresas rumo a mares e horizontes tranquilos, escapando de situações perigosas, falimentares. Na direção contrária, há diversos exemplos de executivos que, colocados em postos estratégicos, cedem em meio à pressão do mundo corporativo e levam suas organizações ao abismo.

O certo é que os problemas enfrentados por Schackleton são idênticos aos do mundo atual e sua história à frente do Endurance fornece lições valiosas. Fazer com que sua equipe trabalhe em prol de um objetivo comum; trabalhar com recursos limitados; motivar e dar voz a todos na equipe; administrar conflitos; assumir riscos e instigar a criatividade entre seus subordinados, entre outras questões, são situações usuais no universo corporativo.

Saber lidar com todas estas variantes, no entanto, é missão para pessoas preparadas. Cabe ao executivo, portanto, se preparar antecipadamente para situações de crise, mapeando as necessidades e expectativas dos steakholders e desenvolver com eles uma relação construtiva. Mais do que nunca, devem ser hábeis comunicadores.

O artigo foi escrito por Luiz Rocha, está publicado no site RH Central e com certeza trata de uma das mais ricas histórias de liderança que já conheci. Vale à pena pesquisar mais sobre a aventura de Schakleton.

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
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