Economia brasileira: a bola da vez

Dados da estrutura industrial brasileira revelam o que podemos esperar do país

42-22826528 O Brasil está na moda. Mais ainda agora, pós-crise financeira internacional. A adversidade que costuma apontar fraquezas, no caso brasileiro acabou por revelar o bom momento pelo qual o país vem passando, talvez inédito em toda sua história. Instituições firmes, inflação controlada e crescimento econômico compõem uma equação imbatível, apontando ao mundo tratar-se de um lugar bom e seguro para se investir.

O governo agiu bem no enfrentamento da turbulência. Priorizou a garantia do financiamento da produção e do consumo, movendo-se com agilidade até então rara na administração pública brasileira. Em 2010, com a situação normalizada, estima-se que o volume de crédito – combustível da atividade econômica –, deva crescer 20%, impulsionando o mercado interno e reforçando a confiança das empresas e da sociedade. Para o PIB, a previsão é que alcance 8%, embora o próprio governo esteja trabalhando com uma marca mais ponderada de 6,6%.

As únicas nações com projeção do PIB superior ou igual à do Brasil são China, com 10%, e Índia, 7,7%. A União Européia, em meio à crise grega e aos riscos representados por Itália, Espanha e Portugal, faz imenso esforço para lograr pífio 1%, enquanto os Estados Unidos prevêem um crescimento de 2,7%.

É verdade que o Brasil já teve outros períodos de crescimento, mas nunca como agora. De 1947 até 2000, a média de avanço do PIB foi em torno de 5% ao ano, com picos de 9% e 10%, principalmente nos anos 70 do milagre brasileiro. Se havia crescimento, havia também inflação e ditadura em alguns períodos. Pela primeira vez, a história é outra, a ponto de a crise internacional não abalar uma estrutura que se mostra sustentável.

Em janeiro de 2009, em plena turbulência mundial, o índice de confiança da indústria era de 74,1 pontos, mas atingiu 113,4, em dezembro do mesmo ano, conforme dados do Ministério da Fazenda. E como em tempos de vacas gordas oferta e procura crescem juntas, o grau de confiança dos consumidores saltou de 96,9 para 112,3 no mesmo período.

Os dois indicadores referendam a viabilidade do crescimento de 7,1% estimado para a manufatura em 2010, muito próximo da melhor taxa da década, 7,9%, registrada em 2004. É uma retomada relevante depois de a crise ter provocado queda de 5,3% em 2009. São dados e projeções do IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Um fato curioso é que, no acumulado do ano, alguns segmentos da indústria brasileira sequer se abalaram com as graves dificuldades da economia mundial. O setor automotivo é um deles. Estimuladas pela redução do IPI, as vendas de automóveis cresceram 12,66% em 2009 (na comparação com 2008), com a produção de 3,1 milhões de unidades. Este ano, a projeção é de expansão entre 6% e 10% na comercialização de veículos.

Trata-se de um resultado inusitado, em especial ante números como os dos Estados Unidos, onde se verificou queda de 17,64% na fabricação de carros. A China e a Índia, por sua vez, cresceram mais do que o Brasil nesse setor: 52,10% e 28,32%, respectivamente.

Outro dado positivo são as reservas internacionais: em setembro de 2006, tínhamos aproximadamente US$ 75 bilhões e, em janeiro de 2010, já são mais de US$ 241 bilhões. A nossa dívida líquida externa, em 2002, era de quase 33% do PIB. Hoje, está perto de 4% negativa e, enfim, somos credores do FMI, a quem emprestamos recentemente US$ 14 bilhões.

Planos sociais, como o Bolsa Família, também impulsionaram o crescimento, pois materializaram um novo perfil de consumidor e, mais do que isso, garantiram a alguns milhões de brasileiros o direito essencial à dignidade. Numerosas famílias emergiram da miséria absoluta para um poder de compra mínimo. Inicialmente, criticou-se muito a prática, atribuindo-lhe a pecha de mera troca de renda. No entanto, seus resultados foram conclusivos quanto aos reflexos positivos em cascata no mercado interno. O próprio Banco Mundial (Bird), que poderia ser classificado como um dos templos do liberalismo, o considera modelo para a inclusão social.

Isso tudo sem falar que nossos setores produtivos vêm adequando seus métodos para atender às questões sociais e ambientais. O consumidor faz escolhas cada vez mais conscientes e está de olho em quem produz por meios sustentáveis. Essa preocupação está evidente em muitas iniciativas na área de produção, desde a otimização no uso de matérias-primas, dos recursos hídricos e de energia, até nas parcerias entre indústrias e cooperativas de trabalho já constituídas, que detêm conhecimento valioso sobre os bens que produzem.

O setor da construção civil, um dos mais aquecidos no momento, deve passar por uma modernização e tanto. Dentre os muitos avanços, quem pensa em construir já pode contar, por exemplo, com a madeira bio sintética, criada a partir do plástico reciclado. Além da grande durabilidade e da versatilidade na aplicação, o processo de produção não utiliza componentes químicos que, em geral, colocam em questionamento a reciclagem de certos materiais.

O certo é que encontrar formas de equacionar o equilíbrio ecológico e o desenvolvimento humano já está na agenda de produtores e é um dos muitos pilares que ajudará o Brasil, em prazo relativamente curto, a se consolidar como uma das cinco maiores economias do mundo. Para reforçar ainda mais seu papel de extrema relevância, o país deve se manter de braços abertos ao Investimento Estrangeiro Direto (IED). Porque este é o lugar certo para quem busca lucro na produção.

Antoninho Marmo Trevisan é diretor presidente da Trevisan Escola de Negócios e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
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