Brasil, Copa do Mundo, Vendas e Marketing Global

Não existe nada tão global quanto o futebol

futebol_brasil_2 Mesmo não sendo “consumido” no mundo todo, todo mundo sabe da sua existência e reconhece quando o vê, assim como a latinha vermelha com a onda branca, da Coca-Cola, ou o excesso de “os” do Google.

Podemos fazer uma analogia entre a Copa do Mundo e o mercado global, além da guerra entre as empresas fabricantes de material esportivo, ou dos patrocinadores da Copa, de cerveja a fabricantes de veículos, com investimento individual a partir de 100 milhões de dólares, um aumento de 100% se compararmos com as cotas da Copa de 2002. Anheuser-Busch (AB-InBev), McDonalds, MTN e Satyam patrocinam o evento da África do Sul; além de Adidas, Coca-Cola, Emirates Airline, Hyundai, Sony e Visa que tem contrato permanente com a Fifa. Nada abaixo de 300 milhões de dólares por edição da copa. Até o Twitter entrou no jogo: acaba de fechar acordo para patrocinar duas edições da competição pelo valor de 305 milhões de dólares.

O futebol está dividido em campeonatos e o mercado esta dividido em Nivel de Abrangência. Há o Campeonato Estadual (Mercado Doméstico); o Campeonato Brasileiro (Mercado Regional); o Campeonato Sul-americano ou a UEFA (Mercado Multinacional) e a Copa do Mundo (Mercado Global). Esses conceitos de mercado são facilmente percebidos na analogia. Nem todos os times dos campeonatos estaduais participam dos campeonatos nacionais, e assim evoluem, até chegar a poucas empresas/times/países, que participam do mercado globalizado. Podemos ainda identificar nichos nos mercados domésticos, como a 2a. e 3a. divisões, onde há um outro público envolvido, com outros produtos/times, além dos campeonatos de futebol de várzea ou nos condomínios residenciais, equivalentes ao mercado informal. Isso sem falar dos video-games (vendas pela internet) que substituem o prazer do jogo quando não se pode jogar de verdade.

Se compararmos os campeonatos às leis da Biologia, seria a Lei Natural de Seleção do Mais Forte. No futebol, assim como nos negócios, existe a Seleção Natural do Mais Flexível, Adaptável e Inovador.

Quanto à gestão, é necessidade um grande líder, visionário, focado no futuro e determinado a seguir seus objetivos, que serão repassados à empresa/time por ele e seu staff: será que esse é o Dunga?

E se a equipe da empresa/time de hoje, para sobreviver no mercado/campeonato precisa de determinadas habilidades, podemos destacar algumas:

Comprometimento – envolvido ou comprometido? A diferença faz toda a diferença… Estou envolvido no clima da copa, mas não me comprometo com os resultados, nem com os treinos de manhã bem cedo e muito menos com o estudo do adversário/concorrência. Faço parte da equipe e meu esforço é uma fração do sucesso alcançado pela empresa ou apenas cumpro ordens e “bato meu cartão”?

Inovação – se não existe o esforço de mudança, ousadia e inovação, sua vantagem competitiva será obsoleta, já conhecida pelo mercado e pela concorrência. De que vale um jogador que sabe um único drible? Ou um time de uma única estrela?

Estratégia – sem ela a empresa/time vive somente para o agora, sem visão de longo prazo. Ganha um jogo nas eliminatórias, mas jamais chegará à final da Copa;

Competência – a competência pode ser uma equação onde se mede a obtenção de um determinado resultado, com um menor esforço, num menor espaço de tempo.

COMPETÊNCIA = Resultado Esperado/Tempo X Esforço

Essa competência só vem através do conhecimento de variáveis como as atribuições de jogador/executivo, o ambiente onde estou competindo e o adversário/concorrência.

Porém nada mais está sozinho, ou sem conexão com outros ambientes. Os EUA passam por uma grave crise financeira em 2009, gerada pelos financiamentos imobiliários e contaminaram todo o mercado global. Mesmo que não tinha relação direta com eles – existe esse país ? – foi afetado e sofreu no minimo uma forte desaceleração na sua economia, chegando a crises agudas, como a da Grécia.

Assim como vimos que a influencia externa desestabiliza o ambiente, na seleção, a influência de patrocinadores, torcida, cartolas e burocratas da comissão técnica tem impacto direto no resultado final da partida. O risco país é um paralelo ao descrédito na seleção brasileira no início da copa.

Os jogadores são como produtos, consumidos em diversos clubes/mercados. A equação clássica de valor abaixo, pode ser adaptada para o mundo futebolístico:

VALOR = Benefícios diretos – Custos Diretos/Preço

Apesar de não podermos somar variáveis de grandezas diferentes, ousaria, para o futebol, apresentar a equação abaixo:

VALOR = Prazer de ver jogar + Número de Espectadores + Cotas de Patrocínio de Midia/Valor do Passe + Salário + Custo de Operação do Clube

Ainda sob a forma das empresas/times participarem do mercado globalizado, vale ressaltar dois exemplos. O futebol alemão de um lado, com sua gestão Etnocêntrica, destacando apenas as características do seu mercado doméstico/campeonato local, sem adequar às novas necessidades do mercado global/copa do mundo. Do outro lado o futebol brasileiro, e a Gestão Geocêntrico, entendendo a diversidade do mercado globalizado/copa do mundo e adequando seu produto/futebol às novas necessidades.

E para concluir, não podemos esquecer do exemplo do nosso eterno capitão Cafu, que sendo visto por bilhões de espectadores, dá-nos um perfeito exemplo da coexistência Global e Local ao estampar em sua camisa pentacampeã mundial, a frase “100% Jardim Irene”.

Onde você está preparado para jogar? Vai de várzea ou já consegue jogar no campeonato estadual? Tem um plano para chegar no Brasileirão? E não esqueça que todo mundo de vez em quando, gosta de um video-game…

Alessandro Saade é mestre em comunicação e mercados, autor e organizador do livro Dominando Estratégias de Negócios e professor dos cursos de pós-graduação do INPG – Instituto Nacional de Pós-Graduação.

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
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