Sucesso é igual felicidade?

42-20038605 Executivos bem sucedidos estão prestes a pedir demissão. Uma recente pesquisa global realizada pela empresa de recrutamento Robert Half revelou que cerca de 40% dos executivos brasileiros pensam em mudar de emprego nos próximos seis meses. Nesse quesito, o Brasil só fica atrás da França, onde 45% dos profissionais consideram a possibilidade de sair da atual empresa.

Quando escolhemos uma carreira, nos empenhamos a todo custo para chegar ao topo. Mas poucas vezes nos perguntamos onde fica o topo. Quando me formei, a resposta estava na ponta da língua: Fama e Fortuna. Desde o primeiro dia pós-faculdade toda minha energia esteve focada nestes dois objetivos. Por longos anos, sacrifiquei família, amigos, fui viver em lugares distantes que não tinham nenhuma relação comigo, e, principalmente, exige o mesmo de minhas equipes.

Eu consegui as duas coisas, pelo menos, temporariamente. Fui intenso, querido e odiado. Até que eu mesmo não me suportava mais. Minha performance crescia na mesma medida que minha insatisfação. Então, entendo muito bem o que estes executivos estão se perguntando: onde fica o topo.

A maioria de nós confunde sucesso com felicidade. Algumas vezes as duas coisas andam de mãos dadas, mas uma não vem necessariamente com a outra. Meu melhor amigo, mora há décadas na mesma casa, leva uma vida pacata e sua atividade mais prazerosa é o violão, que domina como poucos. Com ele, e, principalmente minha filha, fui aprendendo que algumas coisas não podem ser compradas, como a importância da presença. Para mim que fui um pai ausente em alguns momentos, é fácil perceber o valor disto agora.

No final do ano passado, uma onda de suicídios na France Telecom, empresa telefônica francesa, chocou o país, sindicatos e mercado. Em dois anos, foram 19 suicídios ou tentativas. O que faz um sujeito com um bom emprego, bons salários e benefícios, tirar a própria vida? Se fosse um ou dois, poderiam dizer que o problema estava no executivo, mas 19?

Acho que herdamos de nossos pais, o desejo de ter uma boa vida. E por boa vida, entendemos carro do ano, casa própria, dinheiro no banco, carteira repleta de cartões de crédito, status. Não refletimos o valor de construir uma família sólida, de conquistar uma relação de confiança com nossos filhos, de cultivarmos amizades e uma cultura própria.

Hoje, com a possibilidade de ter o mundo numa janela, estas questões tornam-se ainda mais marcantes porque há outras questões envolvidas. Hoje, além das perguntas pessoais temos perguntas sociais: quero trabalhar numa empresa que suga o meio ambiente e depois vai embora? Quero fazer parte de uma corporação que só pensa em seus acionistas, impondo um regime de trabalho extenuante aos funcionários? Quero em minha cidade uma multinacional que não se relaciona, não se importa, não se incomoda com a comunidade? Porque trabalhar numa organização mundial que me exige 8 horas de trabalho presencial, se meus resultados não podem ser medidos pelas mesmas 8 horas?

A relação de trabalho já mudou. A maneira de empreender já mudou. O valor que o dinheiro tem já mudou. A importância do planeta já mudou. E você, mudou?

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.