Copa 2014 e Olimpíada 2016: economizar água é conquistar a taça ambiental

conservacao_agua O Dia Mundial do Meio Ambiente, que se comemora neste 5 de junho, representa uma oportunidade extraordinária para unir a preservação ambiental à realização da Copa 2014 e à Olimpíada 2016. O Brasil, ao conquistar o direito de sediar a Copa 2014 e a Olimpíada 2016, tem pela frente desafios e oportunidades gigantescos, do tamanho dos dois maiores megaeventos esportivos mundiais. A atenção do mundo estará, cada vez mais, focada em nosso país, nos próximos seis anos. Temos pela frente, assim, a grande oportunidade de firmar nossa imagem diante do restante do planeta como um país que ruma celeremente para ingressar no mundo desenvolvido, em todas as acepções da palavra. E entre elas certamente está a da preocupação com o meio ambiente, entre outras questões relevantes, ou seja,uma nação marcada pela preocupação socioambiental.

Assim, a Copa 2014 e os Jogos Olimpícos de 2016 podem – e devem – marcar o Brasil como um país que se preocupa e desenvolve ações ambientais consistentes. Essas ações, porém, ainda estão bastante atrasadas. É preciso lembrar que, das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, destas, mais de dois terços não estão disponíveis para consumo humano, ou seja, restam disponíveis apenas 0,7% desse total. O Brasil detém cerca de 13% da água doce disponível no mundo, mas mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do país. Por isso, é algo conhecido há bastante tempo a preocupação do resto do mundo com os cuidados ambientais em nosso país. E os dois maiores e mais midiáticos eventos esportivos mundiais representam uma rara oportunidade para desempenharmos um belo papel também na área ambiental.

Nesse sentido, um dos setores mais visados pelos cerca de 600 mil turistas e 3 mil jornalistas estrangeiros que, estima-se, virão ao Brasil para a Copa 2014, será o ambiental. E também para os cerca de 3 milhões de turistas brasileiros previstos para a Copa. Na questão da economia no uso da água, uma das mais importantes devido à necessidade de preservar esse líquido essencial à vida e cada vez mais escasso, nosso país ainda está muito atrasado. Em uma área extremamente visada pelos turistas e jornalistas estrangeiros, devido ao contato diário e pessoal que terão durante sua estada no país, a de hotelaria, estamos ainda bastante mal na fita. O parque hoteleiro nacional possui hoje aproximadamente 25 mil meios de hospedagem, e deste universo 18 mil são hotéis e pousadas, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH). No geral, 70% são empreendimentos de pequeno porte. Isto representa mais de um milhão de empregos e a oferta de aproximadamente um milhão de apartamentos em todo o país. Estima-se que a hotelaria nacional tenha um faturamento da ordem de U$ 2 bilhões de dólares/ano.

Desses cerca de 25 mil estabelecimentos de hospedagem, pode-se estimar que 60%, ou o equivalente a 15 mil empresas, não têm instalações adequadas para o uso racional da água, ou seja, desperdiçam muita água. Um dos desafios que o setor hoteleiro, em conjunto com entidades da hotelaria, governos, fabricantes de equipamentos hidrossanitários e outros envolvidos têm para a Copa/Olimpíada é o de criar uma normatização para a rede hoteleira. Isto porque as pesquisas e estudos realizados em estabelecimentos de hospedagem indicam que o chuveiro é responsável por 70% do consumo de água nesses estabelecimentos. E a possibilidade de economizar fortemente nessa área é enorme, com ações bastante simples e baratas: a instalação de um restritor de vazão, que custa em média R$ 20,00, permitiria reduzir o consumo de 25 litros/minuto a 10 litros por minuto – uma economia de até 60%!

Com o desenvolvimento de uma norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) relativa às instalações hidrossanitárias em estabelecimentos de hospedagem, o que hoje é uma recomendação econômico-ambiental, passaria a ser uma obrigação das empresas do setor. Elas, sem dúvida, seriam as maiores beneficiadas, do ponto de vista econômico e de imagem, mas também o meio ambiente e a sociedade brasileira ganhariam, e muito, com essa iniciativa.

Paulo Costa é diretor da H2C, consultoria especializada em projetos e implementação de programas de uso racional da água

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