O Papa esquece seus erros e aponta o dedo para o Brasil

Durante uma cerimônia no Vaticano, nesta quinta-feira, o Papa esteve reunido com 15 bispos brasileiros do Pará e Amapá e criticou o sincretismo religioso, isto é, a fusão de práticas de religiões e culturas presentes em nosso país. Para alguém de fora, é muito simples dizer que isto ou aquilo é errado e não deve ser feito no Brasil, mas a questão é muito mais profunda.

Qual raça é mais brasileira? Qual credo é mais brasileiro? Qual cor da pele é mais brasileira? Não há como definir. Ao eleger uma, estaremos menosprezando a outra. É como dizer que a cultura indígena tem menos influência do que a dos imigrantes alemães, país do Papa.

Por outro lado, alguém pode dizer que a Igreja Católica tem mais de dois mil anos de idade e por isto tem regras e cerimônias muito bem definidas. Mas se voltarmos no tempo veremos que mesmo em sua origem os católicos incorporaram práticas de outras religiões, principalmente o judaísmo. A Páscoa, que acabou de ser celebrada, já existia e foi festejada por Jesus, antes da fundação da Igreja.

Mas a discussão mais importante não é esta. Ao direcionar seu discurso para os bispos brasileiros, apontando o que julga errado, Bento XVI mais uma vez, se esquiva de falar do que deve. Dos casos pedofilia dentro da Igreja e como o problema será enfrentado. A crise tem se arrastado por tempo demais, já não pode ser ignorada e pode trazer conseqüências bem mais sérias do que o sincretismo brasileiro.

De mais a mais, já que ele pediu que Jesus seja o centro da religião, é também preciso lembrar que Deus não está em nenhuma cerimônia ou prática. No Antigo Testamento, ao dizer para Moisés voltar ao Egito e libertar seu povo, Deus diz claramente: “Eu serei contigo”. Não disse, reza uma novena e vai, ou, fica de joelhos, canta uma música e vai. Disse “Eu serei contigo”.

Você percebe a diferença?

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Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.