Gestores gastam mais de 50% do tempo apagando incêndios

Gestão propriamente dita ocupa apenas 16% do tempo desses profissionais

Problemas como esse geram desperdício de até 30% no potencial produtivo das empresas

Uma percepção constante nas empresas é de que todos os processos e sistemas funcionam bem, mas os resultados esperados deixam a desejar. Entre as principais causas do problema, está a atuação dos gestores que gastam 59% do tempo em atividades de “apagar fogo”. De acordo com a experiência dos diretores da consultoria empresarial ProGeps, essa demanda divide-se na resolução de problemas (29%) e em atividades administrativas (30%), como reuniões, despacho de papelada, checagem de e-mail e telefonemas.

Já atividades importantes, como treinamento e coaching de seus subordinados, ocupam somente 1% do horário de trabalho dos gestores. A gestão propriamente dita ocupa apenas 16% do tempo desses profissionais, índice que representa menos da metade do valor considerado adequado (35%), segundo especialistas da consultoria. Como resultado disso, o levantamento aponta que a produtividade média alcançada pelas organizações é de 60%, ou seja, há um desperdício de cerca de 30% no potencial produtivo das empresas, considerando que entre 5 e 10% constituem perdas irrecuperáveis. 

A falta de planejamento e o baixo mentoring e acompanhamento que recebem de seus superiores com relação às suas atividades do dia-a-dia são as principais causas do desperdício de tempo dos gestores. Com isso, não surpreende que as informações da ProGeps apontem como entraves à produtividade nas corporações problemas relacionados à estrutura organizacional, processos, sistemas, qualificação, competência de gestão e tecnologia.

 “Quando chegamos a uma empresa, o que vemos é redundância, falta de objetividade entre departamentos, falta de visão e alinhamento. Trata-se de um conjunto de coisas que têm que trabalhar em harmonia”, explica o presidente da ProGeps, Elzo Guarnieri. As organizações geralmente tendem a acreditar que a solução para o aumento da produtividade está em novos investimentos, principalmente em sistemas de gestão automatizados. Entretanto, segundo a avaliação da ProGeps, a execução de um projeto bem estruturado e, principalmente, focado nos pontos críticos e problemáticos (não necessariamente na empresa como um todo), pode diminuir em cerca de 20% o desperdício, sem recorrer a esse recurso. “É necessário trabalhar de baixo para cima, “mãos na massa”, entrar nos detalhes e, como isso sempre, de alguma maneira, se reflete nas pessoas, ter um programa dirigido para todo os universo coberto pelo trabalho de melhoria. Além de implantar as mudanças, temos que torná-las sustentáveis”, conclui Guarnieri. Ou seja, implantar corrige o problema, mas não assegura o aculturamento das mudanças e novas rotinas de trabalho.

 


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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.