Dinheiro jogado no lixo

Lixo e ser humano são duas coisas que andam sempre juntas. Onde tem um, tem o outro. Você nunca vai encontrar um formigueiro que tenha um aterro sanitário ao lado ou um ninho de pássaro cheio de sacolinhas. Para piorar, está fugindo ao controle aquele lixo que ninguém pede, mas que é praticamente forçado a levar, os folhetos entregues nas ruas de quase todas as cidades brasileiras, além dos que ficam presos no pára-brisa do carro.

Aquecimento na economia significa maior volume de produção, mais empregos, maiores condições de consumo e conseqüentemente maior produção de lixo. Quanto mais rica uma região mais lixo produz, a prova disto é que nas cidades mais pobres do Brasil o lixo per capita fica em torno de 0,5 kg/dia, em São Paulo, a cidade mais rica, esta marca dobra. A média mundial é de 1 kg/dia por pessoa, mas em algumas cidades dos Estados Unidos cada habitante produz quase 3 Kg/dia.

Há algum tempo, quando fiquei sabendo disto, passei a vigiar minha produção pessoal de lixo, buscando ter um consumo mais consciente, pensando duas vezes antes de usar uma embalagem descartável ou simplesmente mudando o hábito de consumo. Por exemplo, ao comer um biscoito, você tem uma alimentação de qualidade duvidosa e ainda gera lixo com a embalagem. Se trocar por uma fruta, ganha em saúde, sabor e gera um resíduo facilmente absorvido pelo planeta.

Mas esta semana, durante uma das muitas chuvas, minha paciência se esgotou com um recurso de publicidade que para mim, não tem vantagem alguma. Ao ligar o limpador do pára-brisa, vi o papel já meio derretido se desmanchar e piorar ainda mais a visão. Então, observei quantos folhetos já tinha recolhido e que ainda estavam dentro do carro, de todos os tamanhos e anunciantes, um lixo que eu não gerei, mas que era minha responsabilidade.

Apenas na cidade de São Paulo, 8.500 funcionários da Secretaria de Serviços retiram das ruas diariamente 270 toneladas de resíduos, que com as chuvas são arrastados para as 397 mil bocas de lobo gerando os entupimentos e alagamentos que todos temos visto. Boa parte deste lixo é resultado da falta de educação dos moradores, mas e quanto ao lixo gerado comercialmente?  Eu também vivo da comunicação e das vendas, por tanto, sei o quanto a publicidade é importante, mas como medir os benefícios da panfletagem?

Será que os aborrecimentos e os prejuízos causados aos moradores compensam o lucro gerado pelas vendas? Duvido. Me recuso a comprar de uma empresa que se utilize deste recurso de divulgação, porque da mesma maneira que eu decido qual lixo produzir, também decido qual publicidade quero receber. E quando um sujeito coloca no pára-brisa do carro um folheto qualquer, não me dá o direito de escolha, pensa apenas em seu benefício isentando-se de qualquer responsabilidade com o meio ambiente.

E você, o que pensa da panfletagem nas ruas e nos carros?

 

 


Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.