Consumidores populares: o que funciona a propaganda ou a mobilização?

Vivemos tempos interessantes na economia brasileira. A chegada acelerada, nos últimos sete anos, de mais 30 milhões de novos consumidores, antes tão pobres que não eram sequer percebidos pelos radares das agências e anunciantes, nos faz refletir a respeito dos meios convencionais adotados, até agora, no relacionamento com grandes massas.

Somam-se os ex-pobres, os consumidores populares, que hoje são classificados por algumas manchetes apressadas como classe média, ao contingente de classe média que já participava do mercado interno e hoje se tem como referência 90 milhões de pessoas que gastarão, apenas em 2010, cerca de R$ 750 bilhões.

São pessoas acostumadas com a vida dura há muitos anos. E que além da dificuldade de ganhar seu dinheirinho tiveram ainda que enfrentar o abandono, o tratamento frio, indiferente e até mesmo preconceituoso nas lojas e nos shoppings.

Mas são homens e mulheres, jovens e idosos, famílias inteiras que emergem dos cortiços, favelas, bairros periféricos e que chegam agora com seu rico dinheirinho e que precisam ser levados a sério se alguns setores do mercado têm a intenção de aproveitar a nova onda e expandir seus negócios.

Mas como chegar até seus corações e mentes? Propaganda em massa funciona, mas qual é a parte do investimento que retorna? Enfeitar vitrine ajuda, mas quem garante que o acordo comercial será avalizado também pela família e que as prestações serão pagas em dia?

Mais do que propaganda esse povão consumidor quer interação, quer ser mobilizado e depois de ter sido abandonado à própria sorte por tanto tempo não entende mais o que lhes propõe os anúncios que vê na televisão ou ouve nas rádios.

Porque suas referências são apoiadas em vivências sociais nos bairros distantes, nas comunidades que os remetem aos Estados de origem, nas atividades culturais e religiosas. Foram nestes ambientes que eles e elas foram mantidos ao longo de décadas. E hoje se recusam a entender mensagens unilaterais vindas de um grupo que nunca interagiu com suas vivências chave, que os remetem, sempre, para família, igreja, vizinhança, time da várzea, batuque, longas viagens de metrô e de ônibus, escola dos filhos, aniversários em família etc.

Se quisermos aproveitar as novas oportunidades é a hora de buscar novas maneiras de mobilizar este povão, através de interação constante a partir dos seus locais de vivências sociais para ampliar as chances de participar desta tendência que é absoluta.

Ou seja, são consumidores que chegam para ficar. E que vão respeitar quem os entende. Talvez seja esta a situação de sua empresa, então parabéns. Caso ainda nem tenha pensado sob este ângulo, bem, ainda dá tempo. Afinal, estamos falando de um consumo anual de R$ 750 bilhões.

Marco Roza é diretor da Agência Consumidor Popular

 


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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.