Sustentabilidade acontece quando se olha para o futuro

É crescente a percepção da sociedade de que é preciso alterar hábitos e formas de agir para reduzir as mudanças climáticas e seus efeitos para garantir o futuro das gerações atuais e próximas. O despertar dessa percepção data de menos de quarenta anos e tem como um de seus principais marcos o documento Nosso Futuro Comum, de 1987. Também conhecido como Relatório Brundtland, o documento criou uma definição que continua valendo: “desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”.

De forma geral, o setor produtivo tem assumido rapidamente essa preocupação adaptando e modificando seus processos para garantir o suprimento de alimentos e outros produtos necessários à vida humana e animal e ao desenvolvimento social. Há exemplos notáveis dessas mudanças como é o caso da indústria de celulose, que despejava seus efluentes nos cursos de água e na atmosfera e que passou a utilizá-los para a geração de energia, evitando a contaminação da água e do ar pela substituição de combustíveis fosseis.

Essas mudanças decorreram da conscientização do setor empresarial somada à legislação e à fiscalização do poder público e da sociedade que têm promovido redução significativa de insumos por unidade produzida, buscado processos industriais e comerciais mais limpos e outras iniciativas importantes dos setores produtivos que viabilizem a sustentabilidade.

Sustentabilidade é um processo complexo que se transforma de maneira contínua, acompanhando a evolução do conhecimento, as mudanças da sociedade e do planeta de modo geral. A preocupação com o futuro sempre existiu, mas faltava uma visão integrada das conseqüências de determinadas ações. Assim, quem desmatava uma área no passado para plantar alimentos ou criar animais estava pensando em ampliar a disponibilidade de comida e não em alterar o clima, as condições edáficas, hidrológicas ou outras. Só recentemente a complexa teia de interrelações entre os diversos impactos sobre o ambiente pode começar a ser entendida.

A indústria de celulose e papel foi uma das que primeiro compreenderam a necessidade de harmonizar seus processos com a preservação ambiental, uma vez que sua matéria prima, a madeira, leva anos para estar disponível para a produção. Essa filosofia de produção com enfase no longo prazo tem sido adotada pelas empresas produtoras de celulose e papel no Brasil, país que tem adotado exigências ambientais bastante restritivas e que tem condições climaticas e tecnológicas que permitem que possa se transformar rapidamente num grande e importante produtor e fornecedor de celulose em escala mundial.

A sustentabilidade é hoje entendida pelo setor de uma maneira mais ampla do que apenas a preservação ambiental, envolvendo também o aspecto social e o econômico. As empresas incorporaram rapidamente esse conceito mais amplo, passando a atuar de maneira ecologicamente correta, economicamente viável, socialmente justa e culturalmente aceita. Estão respondendo ao desafio de atender aos anseios das gerações atuais sem comprometer as expectativas das futuras. Por tudo isso, no que depende do setor de celulose e papel, a sustentabilidade é parte da visão de futuro e uma realidade na atuação presente.

Otávio Pontes, é Vice-presidente da Stora Enso na América Latina

 


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