Mais dinheiro para os empreendedores

Brasil terá seis sociedades de garantia de crédito até fim do semestre

Ao todo, o Sebrae está desembolsando R$ 30 milhões para compor os fundos garantidores em Minas, Rio e Paraná. Para o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, a criação das sociedades de garantias não pode acontecer de maneira paternalista. Segundo ele, é preciso dinheiro publico para compor esses fundos, mas também recursos privados. Segundo Okamotto, é importante que as lideranças empresariais se mobilizem.

A afirmação foi feita na quarta-feira (28), em Governador Valadares (MG), em solenidade que marcou mais uma etapa para a criação da Sociedade de Garantias de Crédito do Leste de Minas, cuja marca de fantasia tem como nome Garantia dos Vales. A previsão é de que ela inicie suas atividades em março.

Além da Garantia dos Vales, em Minas Gerais estão sendo criadas mais duas sociedades de garantias de crédito: uma no Sul do estado e outra no Alto Paranaíba. As demais sociedades, que começam a funcionar até junho deste ano, são duas no Paraná (no sudoeste e no oeste do estado) e uma no Rio de Janeiro (na Bacia de Campos). Ao todo, o Sebrae está desembolsando R$ 30 milhões para compor os fundos garantidores.

O valor médio de cada fundo solicitado ao Sebrae até o momento tem variado entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões. Estes recursos devem ser retornados após cinco anos, prazo que pode ser prorrogado por mais cinco. É possível alavancar em até dez vezes o valor investido em fundo de garantia. Em cada uma das seis sociedades, a estimativa é de que a garantia de crédito beneficie em média mil empresários nos próximos cinco anos, num total de 6 mil beneficiados.

“Queremos estimular a criação de negócios mais inovadores. Toda vez que o setor empresarial tiver boa ideia, pode procurar o Sebrae. Nós podemos atender com consultoria e capacitação, mas também com dinheiro, desde que sejam para propostas bem elaboradas e viáveis”, ressaltou Paulo Okamotto.

Por enquanto, a única sociedade de garantia de crédito em funcionamento no Brasil é a da Garantiserra, com inadimplência praticamente zero. Mas em outros países, essa forma de estimular o crédito é praticada há muito tempo.

Na Itália, cerca de 1 milhão de micro, pequenas e médias empresas (representando 25% do total) estão participando dos chamados “Confidis”, que são consórcios de garantia de crédito. Na Espanha, mais de 250 mil empresas de micro, pequeno e médio porte se beneficiam de sistema semelhante. Outros países como Portugal, Argentina e Chile também utilizam formas similares de garantias de crédito.

Vocação local

A prefeita de Governador Valadares, Elisa Costa, destacou o delicado momento atual da economia do município, depois da crise mundial, que estourou em setembro de 2008. Ela lembrou do tempo em que havia intenso processo migratório dos moradores da cidade para os Estados Unidos. Remessas de recursos que eram enviados dos mineiros que trabalhavam na América para manutenção das famílias eram relevantes para investimentos na economia local.

Mas com o enfraquecimento da economia americana, a transferência de recursos perdeu força. “Hoje muitos estão voltando a morar em Governador Valadares. E quem permanece no país americano envia bem menos recursos, por estar numa situação precária de emprego. Por isso é importante reunirmos aqui nossas vocações locais, seja em confecções, gemas e jóias ou até economia solidária”, comentou Elisa Costa. Em seu discurso, a prefeita informou que há boa expectativa de uma agenda nacional em 2010, com ações de longo prazo e cenário de desenvolvimento.

 


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