Dia de Reis: Historiador comenta a tradição dos Reis Magos

Hoje, 6 de janeiro, comemoramos a tradição da visita dos três Reis Magos ao menino Jesus, logo após seu nascimento, o chamado Dia de Reis. Naquela ocasião, eles teriam ofertado presentes ao recém-nascido. Eles foram mencionados apenas no Evangelho de Mateus, onde se afirma que teriam vindo do leste para venerar o Rei dos Judeus. Embora não exista no evangelho de Mateus o número exato de presentes ofertados, acredita-se que tenham sido três: o ouro, o incenso e a mirra. Cada um contendo um significado específico.

Não há indícios que comprovem que Belchior, Baltasar e Gaspar fossem propriamente reis. Alguns registros dão conta de que eles seriam sacerdotes da religião zoroástrica da Pérsia ou ainda conselheiros reais. Outra possibilidade bastante difundida é a de que os mesmos seriam astrólogos ou astrônomos, pois teriam seguido uma estrela a fim de encontrar o Cristo. Segundo o evangelho de Mateus: "E vendo a estrela, alegraram-se eles com grande e intenso júbilo" (Mt 2, 10). Quando chegaram ao palácio de Herodes, perguntaram ao rei se ele sabia do nascimento da criança. O cruel Herodes, que havia dado ordens para que todas as crianças até dois anos de idade fossem mortas, se sentiu ameaçado e disse que se os reis magos encontrassem Jesus Cristo, deveriam avisar a ele, justificando que iria adorá-lo também – embora suas intenções fossem, de fato, assassiná-lo.

Belchior, Baltasar e Gaspar teriam encontrado o menino Jesus, segundo a tradição, no dia 6 de janeiro, devido à distância percorrida. Por isso, em alguns países é nessa data que se trocam os presentes. Sobre o significado dos presentes, costuma-se afirmar que o ouro tem significado real por se tratar de um rei – o rei dos Judeus -, o incenso representaria a fé, pois esse é um produto utilizado nos templos para simbolizar a oração que chega à Deus, assim como a fumaça que sobe ao céu. Já a mirra é uma resina antisséptica utilizada no embalsamamento dos corpos desde a época do antigo Egito e nos remete ao martírio e morte de Jesus, sendo que um composto de mirra e aloés teria sido usado para seu embalsamamento. Os estudos realizados no santo Sudário em Turim, na Itália, comprovam que esses produtos teriam sido utilizados.

Apesar de Mateus não ter descrito tão bem os reis magos, São Beda, o Venerável, o fez com mais precisão. De acordo com esse santo: Melquior era velho, de barbas brancas e teria partido da cidade de Ur, na Suméria. Gaspar era moço, de vinte anos e partira de uma região próxima do mar Cáspio. Baltasar, por sua vez, era mouro, de barba cerrada, com cerca de quarenta anos e teria partido do Golfo Pérsico, na Arábia.

Quanto a seus nomes, Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”, Belchior (ou Melquior) quer dizer “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”. A tradição dos reis magos pretendia representar os reis de todo o mundo, representando também as três raças humanas existentes, em idades diferentes.

Ricardo Barros é Professor de História do Colégio Paulista (COPI), Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, formado em História e Pedagogia pela mesma universidade.

 

 

 


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