Anjos rebeldes da mpb – Anos 80- Cazuza

Pra você que adora música como eu o que é mais importante? Uma letra bem elaborada , uma harmonia bem confeccionada, a emoção na voz do cantor e no instrumento do músico, ou a rebeldia, opção sexual e envolvimentos com drogas e a polícia? Seja qual for a sua resposta não vamos esquecer que estamos falando de seres humanos comuns e sim dos anjos rebeldes da MPB. E dois deles marcaram os anos 80 antes de morrerem do mesmo mal: a Aids.Cazuza e Renato Russo (Legião Urbana) em comparação com Tim Maia e Raul Seixas viveram menos ainda mas com a mesma intensidade artística e densidade emocional.

32 anos

Cazuza morreu aos 32 anos . No caixão, coberto de flores e lacrado, foi levado para sepultura pelos ex-companheiros do Barão Vermelho: Roberto Frejat, Maurício Barros, Dé, Guto Goffi e o produtor Ezequiel Neves. Foram 126 músicas gravadas em apenas 9 anos de carreira. E o mais engraçado acabamos conhecendo o cara mesmo no filme lançado em 2004 chamado “Cazuza – O tempo não pára”. Ali, vimos estampada uma rebeldia que poderia ser sem causa mas tinha uma essência e a vontade de chocar o mundo como fizeram seus ídolos Janis Joplin e os agora dinossauros Rolling Stones. Ele viveu o famoso sexo, drogas e rock’n’roll e não agüentou. Lançou o primeiro álbum solo Exagerado com a faixa título e uma obra-prima “Codinome Beija-Flor”, em 1985. Na época a canção “Só As Mães São Felizes” foi vetada pela censura. Ideologia de 1988 incluia os hits “Ideologia”, “Brasil” e “Faz Parte Do Meu Show”. A faixa “O Tempo Não Pára” torna-se um de seus maiores sucessos.

Pra muitos, ele foi um marginal, filhinho de papai que nunca precisou trabalhar e tinha uma mãe que vivia para satisfazer as suas vontades e loucuras. Usava drogas, participava de bacanais, bebia até cair mas tinha sensibilidade. A verdade é que se ele fosse meu filho não seria o Cazuza mas talvez ainda estivesse vivo. Definitivamente a arte é inexplicavelmente complexa.

Vou deixar para falar do Renato (Legião) noutra semana. Não sei porque me deu uma tristeza ao falar de Cazuza. Acho que faltou pra ele duas coisas fundamentais: pais responsáveis e amigos que falassem verdades mesmo que ele não quisesse ouvir.

Eduardo de Souza- Jornalista


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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.