Quatro milhões de consumidores sem Natal

Brasileiro tem R$ 26,5 bilhões em dívidas acumuladas no cartão e inadimplência chega a 28,3%, segundo BC. A inadimplência das operações de crédito no cartão é, de longe, a mais alta de todo o sistema financeiro brasileiro. Em julho, 28,3% das transações com juro feitas com o dinheiro de plástico, como o crédito rotativo e parcelamento, tinham atraso de pagamento superior a 90 dias, conforme dados do Banco Central.

Dados divulgados pelo BC revelam o que já se comentava no restrito círculo das operadoras de cartões de crédito. A inadimplência chegou forte nos cartões. No Brasil mais de 100 milhões de cartões plásticos de crédito estão ativos. Considerando-se em média três cartões por CPF podemos concluir entre 40/50 milhões de cidadãos realizam transações comerciais habitualmente através deste meio de pagamentos.

O sucesso deste produto além de sua facilidade, segurança e onipresença é o parcelamento automático por prazo indefinido. Mais da metade dos clientes utilizam-se do crédito rotativo. Aqui reside o perigo para seus milhões de usuários. Desde o lançamento do Plano Real, as autoridades nunca atentaram para os juros praticados nesta modalidade de crédito. Ainda hoje com a inflação beirando os 4% ao ano, a taxa do rotativo chega até 12% ao mês. A média do setor fica em 237,9% ao ano. Apesar desta política de juros altos, até 2007 a inadimplência estava na faixa de 2 a 3% do volume das transações. O aperto generalizado do crédito levou parcela significativa de consumidores a usarem este instrumento de pagamento.

As altas taxas de juros potencializaram os saldos devedores. O resultado está contabilizado nos dados que apontam para perdas da ordem R$ 7,5 bilhões, com atrasos no pagamento acima de noventa dias. Indicativo de perda no setor financeiro. Atingindo um patamar recorde de 28,3% do volume transacionado. Especialistas, com base no valor médio financiado por cartão, estimam que mais de quatro milhões de brasileiros esteja com seus cartões cancelados. Impedidos, portanto de realizar novas operações. Leia-se novas compras. Enquanto as taxas de juros ficam nas alturas, bilhões de reais são perdidos pela inadimplência, o comércio vê desaparecer milhões de consumidores de suas lojas, nossas autoridades, vítimas de estrabismo focal, discutem a legalidade de descontos diferenciados para compra à vista ou a crédito ou limites para as taxas que incidem sobre a operação dos terminais de consulta dos pontos de venda. O comércio, apesar do sinal amarelo acesso torce por um Natal melhor no final do ano.

Carlos Stempniewski, administrador, professor das Faculdades Integradas Rio Branco.

 


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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.