Plano de Saúde: novas regras exigem atenção do RH

No início deste mês, entraram em vigor quatro Resoluções Normativas da Agência Nacional de Saúde (RNs 195, 196, 200 e 204), elas mudam as regras para os planos e seguros de saúde empresariais. As mudanças mais óbvias tem sido discutidas aos quatro ventos, mas há uma mudança que vai colocar em xeque o trabalho dos profissionais de RH na gestão do programa de benefícios e que precisa ser comentada.

O Brasil tem hoje 140 milhões de pessoas assistidas pelo SUS e 40 milhões pelos planos de saúde complementar, nos últimos anos, o foco das empresas do setor deixou de ser o plano individual ou familiar para se concentrar nos contratos empresariais. É que as empresas descobriram no pacote de benefícios uma ferramenta para atrair e reter bons profissionais, por outro lado, todas as pesquisas mostram que o plano de saúde é considerado um dos três mais importantes pelos trabalhadores. Assim, um grande mercado se abriu e movimenta hoje uma fortuna.

Mas este é um jogo de xadrez, porque se as empresas não podem deixar de oferecer o benefício, por outro lado vem convivendo com o contínuo aumento no custo. Segundo a revista Você RH, na edição de janeiro/09, “estima-se que os custos com assistência médica cresçam entre 8% a 10% nos próximos 12 meses. Em 2002 representavam 6% da Folha, em 2009 chegaram a 10%. Mais do que negociar preços com as operadoras de planos médicos, os executivos de RH precisam fazer uma gestão completa de saúde.”

E aí se mostra a importância do esclarecimento a respeito das RNs que entraram em vigor em novembro. Até a sua publicação, os contratos empresariais eram reajustados a cada 6 meses, ou até antes disto. As operadoras e seguradoras acompanham o chamado índice de sinistralidade, que nada mais é do que o perfil de uso do plano, e iam aplicando reajustes para manter o equilíbrio das contas. Vamos imaginar que uma empresa tenha um grupo de funcionários jovens, sem doenças crônicas e com hábitos saudáveis, este pessoal vai utilizar pouco o plano de saúde e o contrato terá um índice de sinistralidade baixo, o que aumenta a margem de lucro da operadora. De outro lado temos um grupo de funcionários mais velhos e com um grupo de portadores de diabetes considerável, o resultado final será oposto.

Com as novas regras, o reajuste passa a ser anual, o que deixa para as operadoras/seguradoras uma única oportunidade de buscar o equilíbrio das contas. As chances de serem pedidos altos índices de reajustes na renovação do contrato são claras, resta então duas alternativas para o profissional de Recursos Humanos: pular de galho em galho ou fazer a gestão do benefício.

Gestão do benefício significa ter acesso aos indicadores de uso do plano, isto é, saber quem usa, quando e como. Assim, ele pode monitorar e saber qual é o equilíbrio das contas e se antecipar ao momento de negociação. Esta é uma tarefa complexa, rotineira e deve ser feita com total transparência entre cliente e operadora de saúde. Há diversas empresas especializadas na consultoria e gestão de benefícios em todos país, eu mesmo trabalho em uma delas, a Uniplanos Consultoria em Benefícios. Estas empresas tem a função de fazer a interface entre a empresa e a operadora/seguradora, elas devem traduzir em ações os muitos números e relatórios.

Neste momento, muitas empresas já estão sendo orientadas a antecipar a análise dos programas de benefícios ou, pelo menos, do plano de saúde, para que não tenham uma surpresa desagradável no momento de renegociação do contrato. Se você é empresário ou profissional de RH, fique atento e se precisar de alguma orientação, é só escrever para [email protected]


Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.