Luiza Helena, Chieko Aoki e minha mãe

O Brasil está diferente mesmo. A internet é cada vez mais presente na vida de todos, até mesmo dos mais resistentes. A mobilidade trazida pelo celular se expandiu e agora navegar, responder mensagens, atualizar o blog ou simplesmente conversar pode ser feito de qualquer lugar, a qualquer hora. Consumo em alta, investidores mundiais de olho na economia e no poder de consumo brasileiros, a 25 de Março é manchete em revistas de negócio e por aí vai.

Mas uma coisa ainda me emociona e mostra a profundidade destas mudanças, as quais eu torço que sejam definitivas. Nesta quarta-feira, uma parceria entre a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano e a presidente da rede de hotéis Blue Tree, Chieko Aoki foi anunciada na criação de uma nova rede hoteleira, a Spotlight, de olho nos milhões de brasileiros que estão ganhando mais poder de consumo.

Até ai nada demais, mas olhando atentamente é que percebemos as cores deste novo Brasil. Venho de uma família de empreendedores, do Sul de Minas, gente que não nasceu em berço esplêndido, sem chances de estudo e que percebeu, principalmente, no comércio a chance de obter mais qualidade de vida, e diga-se de passagem, qualidade de vida representava morar numa boa casa, dirigir um carro novo, vestir uma boa roupa e viajar de vez em quando, mesmo que para isto fosse necessário trabalhar em média 14 horas por dia.

Nesta rotina, as mulheres eram sempre personagens coadjuvantes, tinham direito apenas ao primeiro nome, porque logo eram identificadas como a Dona Regina do Vanderlei (minha mãe), ou, a Dona Neca do Sebastião (minha avó), e por ai vai. Tinham uma função braçal, colocavam a mão na massa nas empresas e em casa, não tinham direito a salário porque também eram “patroas” mesmo que isto não valesse muita coisa na prática, porque o dinheiro era controlado pelos maridos, os verdadeiros patrões.

Esta realidade não era uma exclusividade, era a regra. Mas as dificuldades econômicas, principalmente, levaram a mulher a buscar outros horizontes profissionais e a conquista deste novo mundo aconteceu mesmo a contragosto dos homens. Hoje eu me reúno com executivas talentosas, bem sucedidas e que tem nome completo, não precisam mais do marido para dizer quem são. As histórias pessoais das senhoras Luiza Helena e Chieko Aoki com certeza estão repletas de pequenos momentos de emancipação, de vitórias feitas no dia-a-dia e que culminam agora com a união de duas grandes líderes bem sucedidas em mercados predominantemente masculinos, certamente milhões de brasileiras se sentem recompensadas com o sucesso delas.


Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.