Recordando os vales mineiros

Muita gente não vai entender nada do que vou escrever hoje mas decidi falar de uma paixão que dura anos na minha vida: o rock progressivo em Minas. Recentemente, fiquei sabendo que uma banda dos anos 70 vai fazer um show na cidade de Pouso Alegre, sul de Minas. Ela se chama “Recordando o Vale das Maçãs” e vende que nem água em países como o Japão. Com um som viajante instrumental que une psicodelia, MPB e progressivo o ‘Recordando’ nos remete às paisagens mais eternas e bonitas, em sonhos oníricos. Vale à pena.

Minas sempre foi esse celeiro de ótimas e conceituadas bandas de progressivo e ninguém conseguiu até hoje explicar por que. Um exemplo, o Sagrado Coração da Terra do multi-instrumentista Marcus Vianna, nada e nenhum grupo desse estilo musical é tão respeitado em todo o planeta. Ele conseguiu até popularidade com esse estilo difícil para a maioria das pessoas lançando músicas nas trilhas de novelas como o Pantanal e o Clone.

A minha viagem continua com o Terço, esse sim mais conhecido e formado pelos mineiros Flávio Venturini e Magrão (eles mesmos do 14 Bis). Fizeram o hino do violeiro: “Um tocador de violão, não pode cantar prosseguir quando lhe acusam de estar mentindo. Quer virar pássaro e voar. Quer virar pássaro e sumir”

Da nova geração, se tiverem oportunidade não deixem de curtir Cálix, Cartoon e Somba. Todos excelentes musicalmente falando, não deixando nada a desejar para grupos estrangeiros. A discussão sobre as influências do barroco e Clube da Esquina poderiam ir longe, mas a música é para ser ouvida e não discutida.

Me desculpem os músicos de outros Estados mas Minas manda no rock progressivo.

Libertas (Sagrado Coração da Terra)
Como é difícil cantar o sublime
Num País de miséria e prosperidade
Se em nossas ruas crianças são bichos
Como falar da Mãe Liberdade?
Quantas vezes mais teremos que morrer pela utopia.
Mártires do grande sonho humano:
A comunhão, a tribo, o amor, o pão, a liberdade.
Me diz quem é livre e senhor de si mesmo.
Quem não é escravo de suas paixões.
Quem domina sua mente e seus medos.
No voragem de fogo dos corações.
Na febre das grandes cidades
Quem não sofre o jgo e arrasta grilhões
Com o peso da dor da humanindade
Quem não chora perdido na noite?
Alguém nos falou da liberdade: Olhai os lírios do campo
e as aves do céu; Não semeiam nem fiam; Escutai seu canto.
No coração da amazônia, nas cavernas do himalaia
O curumim e o sábio sabem andar no fio da navalha.
Liberdade – Só esses podem chamar teu nome
Abre as asas sobre nós e mata nossa fome.
Como pode o teu Mundo nascer
Se o velho Homem em nós não morrer?
Sê nossa mãe e nossa luz
Nosso farol, Liberdade ainda que tarde!
A rosa estrela me diz:
Já vejo a glória da manhã.
As águas douradas de aquário vertidas em nós.
LIBERTAS QUAE SERA TAMEM

Eduardo de Souza é jornalista, cantor, compositor e fã incondicional do rock progressivo da melhor qualidade.


Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.