Irlanda: opção para empresas brasileiras

Conforme as economias globais iniciam o lento processo de se recuperar da retração financeira, a atenção se volta para as nações que foram menos afetadas pela crise econômica mundial. Entre elas está o Brasil, que é uma das dez economias mais fortes do mundo e tem uma oportunidade única para repor as pequenas perdas sofridas durante este período da economia e, potencialmente, ganhar mais participação no mercado investindo estrategicamente em operações fora da América do Sul. No Brasil, o trabalho pioneiro com biocombustíveis colocou o País em uma posição única para impulsionar este setor dramaticamente, abastecendo o mundo com fontes de energia limpa, como o etanol. Entretanto, o sucesso é a ltamente dependente da produção – que não é um ativo significativo para a nação.

A indústria farmacêutica do Brasil também é competitiva. Mas especialistas acreditam que, para ter sucesso em um mercado global, o Brasil precisa atrair parceiros de pesquisa e desenvolvimento em países estrangeiros, assim como levar produtos prontos para perto dos consumidores do mundo inteiro. Em virtude destes fatores, empresas de biocombustíveis, manufatura, TI/digital e farmacêuticas estão entre as que podem colher os maiores benefícios por estabelecer operações no exterior.

Um cenário que serve como porta de entrada para a Europa é a Irlanda. O país já funciona como um local atrativo aos brasileiros que buscam oportunidades de educação e crescimento econômico. A cada ano, o Brasil envia 4 mil estudantes para a Irlanda e mais de 20 mil brasileiros já se mudaram para esta ilha européia.

A Irlanda é forte em indústrias e em áreas nas quais o Brasil precisa de um parceiro forte, como produção e pesquisa e desenvolvimento (P&D). Para as indústrias brasileiras, investir para estar presente na Irlanda tem muitos benefícios: (1) Sua localização elimina os altos custos das exportações para países pertencentes à União Européia e outras nações próximas; (2) Os impostos extremamente baixos para as corporações na Irlanda (12,5% contra 34% no Brasil) possibilitam um alívio financeiro para as empresas que operam em solo Irlandês; (3) A Irlanda possui uma das populações mais jovens da Europa, com mais de 36% dos habitantes abaixo de 25 anos. Esta força de trabalh o única possibilita que as empresas contratem equipes que custam menos e falam inglês, o idioma mundial dos negócios; e (4) A Irlanda possui uma oferta generosa de gerentes de nível médio, que são experientes e culturalmente habilidosos.

Como parceira do Brasil, a Irlanda possui uma sólida reputação de excelência em produção, particularmente para mercadorias especializadas e de alto valor, como biotecnologia. A indústria de manufatura da Irlanda emprega práticas avançadas de agregação de valor e redução de desperdícios, incluindo o “Lean Six Sigma”, metodologia criada para agilizar as operações. A Irlanda também possui a infraestrutura e o sistema legislativo aptos para lidar com os desafios enfrentados atualmente pelos produtores de alto valor, incluindo proteção da propriedade intelectual; cumprimento das exigências regulatórias e de segurança; e gerenciamento de projetos de construção em larga esc ala, desenvolvidos para lidar com operações altamente especializadas. Empresas que operam na Irlanda podem se beneficiar de uma completa gama de funções de negócios, incluindo: operações com uso intensivo de capital e qualificação, produtos de alto valor, jornadas de produção limitada/testes e atendimento da demanda.

Especialistas já especularam que pesquisa e desenvolvimento no setor farmacêutico é uma área em que as empresas brasileiras estão buscando parceiros atualmente. Em outros países, as próprias empresas são responsáveis pela maior parte dos custos com pesquisa e desenvolvimento, mas, no Brasil, as universidades alocam mais fundos para P&D do que as empresas. Ao investir em operações de P&D na Irlanda, as empresas farmacêuticas podem se beneficiar de um capital tanto intelectual como financeiro. Os centros de Ciência, Engenharia e Tecnologia da Irlanda unem o mundo acadêmico e a indústria para um trabalho conjunto e gerenciam os gastos com pesquisa. Além disso, a Irlanda oferece à ;s indústrias de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) um crédito fiscal de 25%, encorajando, assim as indústrias a abrigar estas operações. Como resultado, 14 em cada 15 dos maiores nomes do setor farmacêutico possuem operações na Irlanda, incluindo Pfizer, Merck, Johnson&Johnson, Wyeth e Genzyme.

As vantagens da Irlanda vão além das capacidades de produção e farmacêuticas. O país também é um dos maiores exportadores de software do mundo. Possui a infraestrutura de tecnologia mais avançada da Europa, localizada em um bairro de Dublin, chamado de “Eixo Digital” (Digital Hub). O eixo comporta o grupo de empresas nacionais e internacionais de mídia digital, a exemplo da Microsoft, Amazon e PixAlert. A localização deste circuito possibilita a entrada de empresas em setores criativos, tecnológicos, de pesquisa, educacionais e comunitários para o desenvolvimento de produtos de mídia digital na Emerald Isle (apelido da Irlanda).

Há alguma dúvida sobre porque quase mil empresas estrangeiras já fizeram da Irlanda seu lugar escolhido para operar? Talvez seja um bom local também para filiais do Brasil.

IDA Ireland (agência responsável pelo desenvolvimento industrial) é a agência oficial de promoção de investimentos do governo, responsável por atrair e desenvolver investimentos estrangeiros na Irlanda. A agência é representada no Brasil por Renate Buzon – www.idaireland.com


Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.