Design sustentável e globalizado: meias fazem renda e viram exposição em Maceió

Ano da França no Brasil promove intercâmbio de estudantes parisienses, estilista franco-brasileira e rendeiras de Alagoas

Um design que usa o reaproveitamento de peças em prol do desenvolvimento sustentável, que recupera e valoriza como arte globalizada o saber das rendeiras artesãs e a criação de redes de intercâmbio de formação e conhecimento entre Brasil e França. É esta a síntese do projeto que culmina em exposição de peças inéditas, idealizado por Márcia de Carvalho, para celebrar o Ano da França no Brasil.
O projeto Meias Órfãs / Chaussettes Orphelines nasceu da ideia da estilista, original de São Joaquim da Barra (SP), mas que vive há mais de duas décadas em Paris, de aproveitar as meias que perderam seus pares. Com uma visão de profissional da moda no mercado há mais de 20 anos, ela percebeu o desperdício como oportunidade.
Usando diferentes técnicas, recortando e tricotando, explica Márcia, as meias são desconstruídas e reconstruídas em novas peças como mantôs, chapéus, echarpes, entre outros acessórios de moda. “Há muito ainda a se inventar, pois várias técnicas de transformação serão testadas durante a residência”, conta.
Atualmente, três alunos da renomada escola parisiense de moda Esmod realizam estágios de aprendizagem no ateliê da estilista para trabalhar as “meias órfãs” na confecção de novas peças e coleções. No Rio de Janeiro, a Universidade Castelo Branco, parceira do projeto, realiza campanhas de coletas de meias, enquanto uma oficina, dirigida pela assistente da estilista, Joana Lorrene, e pela coordenadora da Cidade do Samba, Celia Domingues, acontece no bairro Gamboa, com estudantes brasileiros da universidade Veiga de Almeida e costureiras da comunidade da Cidade do Samba.
Toda essa produção de conhecimento, design e novos tecidos vai culminar em uma residência no município de Marechal Deodoro, a 27km de Maceió (AL), onde os alunos franceses, dirigidos pela própria estilista, vão aprender técnicas de rendas e bordados artesanais.
“O espírito desse projeto é fazer mágica a partir de materiais do cotidiano, transformando-os em objetos inusitados do vestuário. Utilizamos a sofisticação das rendas e a simplicidade de peças usadas e sem função, como no caso as meias que perderam seus pares, e tecemos esse pano de fundo que é a integração de diferentes culturas e diferentes gerações”, explica Márcia. O objetivo final é que esse intercâmbio de aprendizados e experiências seja concretizado numa exposição que será inaugurada no dia 10 de novembro, em Maceió.
O projeto Meias Órfãs/Chaussettes Orphelines integra o calendário oficial do Ano, assumindo os valores abraçados pelos dois governos: mostrar aos brasileiros uma nova França, aberta, moderna e diversa, e levar arte e cultura para todos os territórios do país.
Mas 2009 é apenas o lançamento dessa ideia. O projeto quer continuar a coletar meias, estimular o intercâmbio entre os estudantes de moda da França e de profissionais do Brasil e a chamar a atenção para a arte e a cultura que se faz.

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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.