As canções que você cantou pra mim

No final dos anos 70, durante minha infância ouvia todo dia minha mãe solfejar canções sempre do mesmo cantor. Naquela época a AM (ondas médias) ainda fazia muito sucesso, principalmente com as donas de casa. Aquelas músicas, aquela voz já era familiar não só pra mim, mas para quase todos os brasileiros pois ele tornou-se o porta voz dos mais românticos. Então, depois de falarmos tanto de Michael Jackson, Rei do Pop, devemos nos voltar para Roberto Carlos, que completou nada mais nada menos que cinqüenta anos de carreira. Eu mesmo que depois de jovem achava aquele cara e aquela música grudenta demais devo admitir a importância desse cara que as pessoas também chamam de rei.
Roberto Carlos Braga tem vários apelidos: Rei da MPB, Rei da Juventude, Rei Roberto, mas para os mais íntimos ele é o Zunga, que nasceu em 19 de abril de 1941, em Cachoeiro de Itapemirim-ES. Ele deve ser reverenciado não só pela sua música, mas porque ainda é o artista latino-americano que teve mais discos vendidos e o cantor brasileiro que mais vendeu discos no mundo. Em 50 anos de carreira vendeu mais de 120 milhões de álbuns.
Minha última grande impressão foi o show no Maracanã com 68 mil pessoas. Tenho certeza que pelo menos um daqueles sucessos alguém sabia cantar. Foi realmente emocionante o abraço dado no seu “amigo” Erasmo Carlos que também faz parte da história musical do país, principalmente por ter popularizado o rock no final dos anos 60 por aqui.
Ele encarou fazer música para juventude em 1962 lançando “Splish Splash” e o LP É Proibido Fumar, em que, além da faixa-título, também teve o sucesso “O Calhambeque”. Roberto passou a apresentar o programa Jovem Guarda em 1965, da TV Record, ao lado de Erasmo Carlos e Wanderléa. O movimento que consagrou o cantor é o mais popular no país. Através dele a juventude descarregou sua energia apesar de muitos críticos cobrarem engajamento político dos participantes chamados de “alienados”. Minha mãe me conta que os pais mais conservadores não gostavam que suas filhas repetissem uma das frases mais famosas do cantor: “E que tudo mais vá pro inferno!!!”. Mandar alguém para o inferno era forte para os padrões da época.
Em 1968, Roberto Carlos se tornaria o primeiro e único brasileiro a vencer o Festival de San Remo (da Itália), com a canção “Canzone Per Te”, de Sergio Endrigo e Sergio Bardotti. A mudança de estilo do cantor viria definitivamente em 1969. O álbum “Roberto Carlos” foi marcado por um maior romantismo em lugar dos tradicionais temas voltado para os jovens. E aí entra minha infância e minha mãe cantando e solfejando aquela canção “Não adianta nem tentar me esquecer durante muito tempo em sua vida eu vou viver”. E eu não esqueci mesmo.
Eduardo de Souza é jornalista, cantor, compositor e também passa o dia solfejando canções especiais.

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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.