Quem quer ser Jornalista?

Por decisão do Supremo agora qualquer pessoa pode ser jornalista, não é mais obrigatório o diploma universitário. Sei que vou arranjar uma bela encrenca com este post, mas eu sempre fui contra a obrigatoriedade. Ainda no segundo ano da faculdade, num evento com outras faculdades de Jornalismo assisti esta mesma discussão e olha que me formei há mais de 15 anos… Pois é, naquela ocasião subi ao palco do teatro para dizer que era contra a reserva de mercado, quase apanhei.
Eu me formei e nunca precisei mostrar o diploma para ninguém. Aqui vou fazer uma divisão entre formação e reserva de mercado. Qualquer pessoa que tenha algum dom na cozinha pode montar o seu restaurante, certo? Vamos encontrar a dona Maria, quituteira de mão cheia mas que nunca foi a escola. Do outro lado da cidade, teremos o jovem formado em Gastronomia com estágio nos principais restaurantes de Nova York. Os dois têm a oportunidade de buscar seu mercado, cada um com suas vantagens e, ambos têm a responsabilidade de oferecer comida de qualidade, com ingredientes saudáveis, seguindo padrões de higiene e conservação, etc.
O que vai determinar a perpetuação e crescimento do negócio é o trabalho de cada um. Nada impede que a dona Maria se torne dona de uma grande franquia e fature milhões ao ano, enquanto o nosso amigo se revele um tremendo fiasco. O exemplo vale para qualquer carreira e área de trabalho. Por muitas oportunidades eu recrutei e contratei jornalistas para diversos cargos em emissoras de TV. Muitos jovens apareciam com diplomas caros debaixo do braço, mas não tinham a menor idéia do porque estavam ali.
Há anos eu “clamo no deserto” que o perfil de formação dos jornalistas brasileiros está errado. O mercado de trabalho deixou de precisar destes garotos como são, há anos. As escolas de jornalismo não perceberam isto e o resultado aparece no desempenho dos meios de comunicação. Jornais impressos fechando as portas no mundo todo, aqui mesmo no Caminhando Junto há vários posts falando disto. A audiência do Campeonato Brasileiro na TV a cada ano encolhe mais. Enquanto isto, os jornalistas continuam sendo vomitados das faculdades com as mesmas idéias, técnicas e soluções (?).
Quando troquei a mídia pelo mundo corporativo, levei um choque. Precisei buscar dentro de mim todo comportamento empreendedor que os anos na faculdade deixaram adormecer. Fui obrigado a aprender conceitos de gestão, projetos e até coisas básicas como manipular uma planilha Excel, porque na faculdade nem se fala nisto.
Agora não há reserva de mercado. Quando o presidente Collor abriu o mercado brasileiro, muitos setores tiveram crises profundas como o de tecidos. Produtos vindos de toda parte do mundo tinham qualidade superior e preços muito atraentes. Com trabalho, criatividade e inovação o setor deu a volta por cima e hoje é exemplo de excelência. Muitos outros setores viveram isto. Acredito que o Jornalismo vai passar pelo mesmo processo.
É preciso repensar este profissional, abrir a cabeça desta juventude para que ela seja capaz de salvar os meios de comunicação do país. É preciso que sejam empreendedores, criativos, que saibam convergir informação e transformá-la em ação. É preciso que descubram porque o Brasil precisa deles.

Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.