Lições do 11º Encontro Locaweb de Profissionais de Internet

O evento em São Paulo contou com cerca de mil inscritos das mais diversas áreas, incluindo profissionais de TI, empreendedores e pessoal de agência. A abertura ficou por conta de Gilberto Mautner, presidente da Locaweb palestrando sobre as “Tendências de Mercado”, sem sombra de dúvida a participação mais fraca do evento, tanto em conteúdo quanto em forma. Mautner falou sobre Twitter, deu pinceladas em mídias sociais e passou rapidamente sobre os produtos oferecidos por sua empresa.
Para o presidente da empresa que hospeda 20% de todos os websites brasileiros isso foi decepcionante. É incrível como a principal pergunta que se poderia fazer a um profissional assim, não foi respondida: “O que a Locaweb pode fazer para que a minha empresa venda mais, reduza custos ou se relacione melhor com meus clientes?”. Esta é a pergunta fundamental para todo prestador de serviços, não importa o código da programação, não importa a plataforma que será utilizada, o que realmente importa é ser útil ao cliente.
Ainda bem que a segunda palestra com o evangelista em Rails, Fabio Akita devolveu o entusiasmo, em 50 minutos, o programador deu (talvez) sem querer uma aula de gestão de projetos e equipes. Falando sobre agilidade, combate ao desperdício e relacionamento com o cliente, usou exemplos como a Toyota e a Ford para fazer um paralelo entre o desenvolvimento de softwares e a gestão de qualquer equipe ou produto.
A terceira palestra da manhã ficou por conta do pessoal do Google que fez uma boa e esclarecedora apresentação sobre os serviços gratuitos da empresa como o Analytics, o AdSense e também sobre o AdWords. Uma visão interessante sobre a democratização da publicidade na internet, onde pequenas empresas podem disputar clientes com as grandes se valendo de criatividade, inteligência e esforço.
No período da tarde, mais um show tecnológico com o pessoal da Microsoft mostrando as maravilhas para programadores e profissionais da internet. Uma grande exibição de criatividade, inteligência e poderio tecnológico, mas ainda viria a grande surpresa do evento. A palestra com Marcelo Tripoli, da iThink, uma das principais agências de marketing virtual do país foi muito além da expectativa. Mais do que falar sobre qual programa vai fazer sucesso, ele falou sobre como o consumidor está se relacionando com a internet neste momento e como isto impacta os profissionais e o meio.
Para Tripoli, há apenas dois tipos de consumidores: os que nasceram num mundo virtual e aqueles que migraram para o mundo virtual. Os primeiros vão agir com se todas as tecnologias fossem naturais, como o ato de falar ou comer; enquanto o segundo grupo tem que migrar por necessidade ou conveniência, como os idosos que estão invadindo a internet a fim de espantar a solidão. Para ele estar na internet não basta, do mesmo jeito que ter uma grande audiência. É preciso que “o lado esquerdo do cérebro converse com o lado direito”, isto é, que profissionais de exatas como os programadores trabalhem em equipe com profissionais de criação como designers e jornalistas para que o meio encontre sua sustentabilidade econômica, do contrário poucos continuarão ganhando muito enquanto muitos ganham uma miséria.
Tripoli acredita que estamos vivendo o momento da encruzilhada onde muitas coisas estão sendo lançadas, testadas ou criadas e que ainda não há uma receita correta. Isto faz com que a mídia tradicional ainda abocanhe as grandes verbas publicitárias. Segundo ele, o caminho é convergir as mídias tradicional e virtual, tirando proveito das qualidades de cada uma, assim, o consumidor terá acesso a campanhas publicitárias realmente relevantes enquanto o cliente terá uma campanha com investimento justo e resultado eficiente.
Para mim, esta foi a grande conversa do evento. É preciso repensar a maneira que as marcas estão se comunicando com os consumidores e não importa o volume de dinheiro gasto ou o número de anúncios, os resultados tem sido medíocres. Muito desse esforço caberá aos profissionais dispostos a abrir a mente, estabelecer parcerias para trabalho em equipe e com disposição para enfrentar desafios.

Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.