Lado A e B

Nesta semana , tive uma grata surpresa ao conversar com um amigo de apenas 18 anos e que fez uma aquisição que nos tempos atuais soa nostálgica e estranha. Ele fez um pedido de um disco de vinil do guitarrista John Frusciante do Red Hot Chili Peppers através da internet. Isso merece uma reflexão . Porque mesmo os mais jovens estão buscando a qualidade de som dos velhos tempos.
Reconheço as vantagens do CD em relação ao disco de vinil, mas aquele friozonho na barriga antes de colocarmos o vinil no prato, posicionarmos a agulha e comerçarmos a ouvir aquele chiadinho típico que nos traz tanta saudade é indescrítivel . Vou fazer uma comparação, o vinil é como uma mulher bonita com uma linda roupa da qual você tem o desejo de ir despindo aos poucos e apreciando cada segundo de extase. Aquelas capas dobraveis que viravam posters enfeitando nossas paredes e os encartes com todas as letras que aprendíamos e repetíamos exaustivamente.
Tenho saudade da época que a gente reunia os amigos em casa para ouvir o último vinil lançado. E os bailinhos nos finais de semana ouvindo o LP Internacional da novela “A gata comeu” (Every Time You Go Away – Paul Young – Heaven -Bryan Adans, entre outras). Me lembro quando fui comprar com um amigo um disco censurado do Capital Inicial com a canção Veraneio Vascaína por debaixo dos panos. Nós éramos inocentes e envolvidos pela magia. Dançávamos, beijávamos e amávamos sem compromisso.
Tirando a nostalgia e tecnicamente falando o vinil é melhor. A diferença está entre as gravações analógicas e digitais. O CD não captura o áudio em sua totalidade. (Alguns sons de transição repentina, tais como baterias ou trompetes, sofrem distorção por causa da velocidade da captura dos CDs.) Já os discos de vinil possuem entalhes que refletem as ondas do áudio original. Isso significa que nenhuma informação é perdida. As ondas sonoras de um disco de vinil podem ser muito mais precisas e podem ser apreciadas de maneira mais agradável.
Sou um desses saudosistas e possuo ainda discos de vinil em casa. Importar vinis não dá mais, o preço é salgado cerca de R$70,00 ou R$80,00 dependendo do LP. Mas o que não dá mesmo para importar ou trazer de volta são aquelas tardes e noites ao lado do 3×1, conversando com o amigo ou namorando à meia luz e ao som do querido vinil. Tenho que terminar por aqui pois está acabando o lado A… (control B)
Eduardo Souza é jornalista, cantor, compositor e um confesso saudosista.

Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.