“Demissão não reduz custo e gestão de pessoas garante até 40% mais produtividade”

“Sempre vemos percepções erradas sobre a origem do sucesso das empresas e dos países”. Foi dessa forma que o professor de Business Administration da Stanford University, Jeffrey Pfeffer, iniciou sua palestra durante o Fórum Mundial de Liderança e Alta Performance, organizado pela HSM.

Segundo Pfeffer, muitas empresas diminuem os custos com mão-de-obra, partindo inclusive para demissões, na busca por obtenção de lucros. “As pessoas são mais importantes, mas as empresas estão demitindo nessa crise”, explicou ele, a realidade é que a “redução de custos e as demissões não aumentam a produtividade das empresas”.

Pfeffer disse que, em muitos casos, as demissões não chegam nem a reduzir os custos.Um outro efeito que prejudica as empresas é o de demitir e depois recontratar os mesmos profissionais. Pesquisa realizada com 720 empresas verificou que um terço delas tinha recontratado os funcionários despedidos, seja como mão-de-obra temporária ou terceirizada. Com frequência, são as pessoas erradas, já que os profissionais bons vão embora.
Esse tipo de prática abate o ânimo e aumenta o temor dos funcionários. Ela ainda prejudica a inovação, pois rompe as redes sociais de relacionamento necessárias para desenvolver coisas novas e para desenvolver e lançar novos produtos e serviços no mercado.”O determinante no sucesso é como administrar o seu pessoal, o que tem efeito de até 40% na produtividade”.
Ao saber da opinião do professor, lembrei imediatamente de uma experiência que vivi no final dos anos 90, quando fui nomeado editor-chefe de uma emissora afiliada da Rede Globo no Triângulo Mineiro. A unidade estava em uma das duas cidades com maior potencial na região, mas a equipe de jornlaistas produzia pouco e mal, a desculpa usada era que o mercado não tinha cultura para conviver com uma emissora da Globo e que o equipamento era antiquado.
Realmente a emissora não contava com os equipamentos de última geração utilizados pelas equipes do Rio e São Paulo, mas eu não entendia como isso seria um obstáculo para um bom trabalho jornalístico. Para meu chefe a saída seria demitir e contratar novos profissionais, uma idéia que também não me agradava.
Após explicar qual a verdadeira situação da emissora e partilhar com todos a responsabilidade de mudar o quadro, iniciamos um trabalho com metas ambiciosas. Um dos mais entusiasmantes que já tive a oportunidade de conduzir. Em pouco mais de um ano, já rivalizávamos com a principal emissora da região, tínhamos saído de uma situação deficitária e passamos a ser vistos com outros olhos.
Com certeza levei novas idéias e outras maneiras de encarar o trabalho, mas se não tivesse sido capaz de perceber o talento da equipe, não teria ido muito longe. Naquela oportunidade, não tinha argumentos que justificassem minha decisão de não demitir, desde então, pude argumentar com maior tranquilidade.

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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.