Brasil: 200 mil adolescentes são chefes de família

O Brasil é um dos maiores mercados de consumo no mundo, possui centros de excelência em diversas ciências, mas tem coisas que a gente não consegue explicar. Por exemplo, como o país pode ter 200 mil chefes de família menores de idade?
Como é possível imaginar que um garoto ou garota de 17 anos é capaz de prover as necessidades de uma família? É surreal pensar numa realidade assim, mas é verdade. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) revelou que famílias desse tipo são fruto de algum problema social como meninas que engravidam cedo, adolescentes que perderam os pais ou foram abandonados e assumiram a guarda de irmãos mais novos, o que na verdade só mostra o que estamos cansados de ver a nossa volta todos os dias.
Há dois anos, o Brasil ultrapassou a barreira do 0,800 no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e entrou para o grupo dos países de alto desenvolvimento. Mas, quando se trata das crianças, o País não chegou lá. No Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI), criado pelo Unicef, a média ainda está em 0,733. O IDI considera aspectos ligados diretamente ao desenvolvimento das crianças: percentual de crianças com mães e pais com escolaridade precária; coberturas de vacinação (sarampo e DTP); percentual de gestantes com cobertura pré-natal adequada; percentual de crianças matriculadas em creches e pré-escola. Não entra, por exemplo, a renda per capita, que puxou o IDH brasileiro para cima nos últimos anos. Desde o primeiro cálculo, relativo a 1999, o País teve avanços, passando de 0,609 para os atuais 0,733.
Ao ver estes números nos deparamos com uma face cruel do Brasil, são 233.908 jovens que estão tentando suprir necessidades que eles mesmos tem. Sem chance de estudar e se desenvolver acabam perpetuando a miséria já que tem que se submeter a condições muito precárias de sobrevivência, enquanto uma classe política cínica e inepta drena os recursos do país.
Mais uma vez o Terceiro Setor se mostra essencial para preencher um espaço de trabalho que o poder público não é capaz. Ações de valorização da cidadania e geração de emprego e renda são extremamente necessários para estes chefes de família, mas não basta, é importante que todos nós que temos o mínimo desejo de ver este país ser para todos levemos esta discussão adiante.

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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.