O Silêncio das Canções

Quando o barulho está muito alto buscamos a contemplação, o silêncio. Mesmo que não exista silêncio absoluto. E também buscamos a música que nos acalma de alguma forma. Se buscarmos o menor barulho, ruído ou som e entendermos isto como silêncio é possível escutá-lo. Portanto, esperamos da música algo mais do que propriamente uma bela melodia. Buscamos conforto, paz, meditação. Mesmo na MPB, letras reforçam a necessidade do silêncio ou o sentimento que vem dele.
Sá e Guarabyra cantam na música Silêncio: “No silêncio falam bichos. Em silêncio pelos olhos os bichos falam. Só os homens mais sozinhos. Ouvem o silêncio antes do cantar dos passarinhos.” (Cara, que lindo isso!) Eles chegaram lá mesmo sem o silêncio absoluto.

Já Ana Carolina foi mais fundo ouvindo seu próprio silêncio: “Já sei olhar o rio por onde a vida passa.Sem me precipitar e nem perder a hora .Escuto no silêncio que há em mim e basta.Outro tempo começou…pra mim agora”.
Lulu Santos na fase melhor de sua carreira disse que expressaria seu amor através de Certas Coisas: “Não existiria som se não houvesse o silêncio…Eu te amo calado como quem ouve uma sinfonia de silêncio e luz”.
A frustração de um amor acabado também é motivo para permanecer em silêncio e solidão como um rock dos Heróis da Resistência nos anos 80: “E a gente acaba a noite sempre assim bebendo orgulho e solidão chorando em frente a televisão …mantendo silêncio …pra ninguém ouvir”. Falando desta década um sentimento misturado de agonia e raiva do Nenhum de Nós: “A lembrança do silêncio. Daquelas tardes, daquelas tardes. Da vergonha do espelho. Das marcas, daquelas marcas”.
Zeca Baleiro também está querendo entender esse sentimento: “Agora só me falta aprender o silêncio. Vem comigo, vem. Já tenho quase tudo que me basta. A flor no pasto. A mesa posta. Minha música e teu calor”.
Humberto Gessinger do Engenheiros do Hawaí não tira o silêncio da boca. “Fecho os olhos…Outro mundo.Vou morar no interior.Eu tenho fé na força do silêncio” ou ainda “a última palavra é a mãe de todo o silêncio”.
O silêncio quando bem feito é melhor do que muitas palavras mal-ditas. Fagner entendeu isso: “Palavras e silêncios. Que jamais se encontrarão. Palavras e silêncios. Que jamais se encontrarão”. (Entendeu, né?)
Já ouviram falar de um herói da Marvel chamado Surfista Prateado. Esse sim entendia de silêncio. Parece que o Lenine fez essa canção pra ele não é mesmo? “Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão. Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos. Como um deus que amanhece mortal”.
Engraçado, sempre encontramos nosso verdadeiro amor no silêncio como o mineiro Lô Borges. “Nesta noite equatorial eu vou sair outra vez onde morre a trilha do meu silêncio vou te buscar”.
Milton Nascimento e Caetano Veloso falaram daquele silêncio dos pais que valem mais do que mil palavras e palmadas. “Água da palavra. Água calada, pura. Água da palavra. Água de rosa dura Proa da palavra Duro silêncio, nosso pai”. Falando de pai olha essa canção popular de Altemar Dutra “Velho meu querido velho. Agora já caminha lento. Como perdoando o vento. Eu sou teu sangue meu velho. Teu silêncio e o teu tempo”.
Oswaldo Montenegro foi definitivo: “Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio”

Tire um pedaço do seu tempo nesta semana e tente ouvir e sentir o silêncio
Agora…psiu…silêncio.

Eduardo Souza é jornalista, apaixonado por música e adora ficar em silêncio…


Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.