Lixo da indústria têxtil vira matéria prima em Uberlândia

Artesãs de Uberlândia aproveitam resíduos da indústria têxtil para fazer bolsas, tapetes, broches, colares e pulseiras. Capacitadas pelo Programa Sebrae de Artesanato, elas transformam o que iria para o lixo em fonte de ocupação e renda. As peças feitas com material reciclado são alguns dos produtos comercializados durante a exposição de artesanato, que começa 6 de maio, em Uberlândia.
Com aproximadamente 200 confecções na cidade, o que não falta é matéria-prima. Tudo é reaproveitado, desde linhas a pedaços de tecidos e retalhos de couro. “Nada vai para o lixo. Essa é uma forma barata, ecologicamente correta e lucrativa de fazer artesanato”, explica a artesã Cláudia Mendes.
Há 10 anos, Cláudia deixou de lado a carreira de economista para trabalhar com o artesanato. No começo fazia bijuterias com miçangas e metais. Com o tempo, ela percebeu que as peças feitas manualmente eram mais valorizadas. Hoje, retalhos de panos e restos de linhas de tecelagem são moldados e transformados em bonequinhas e flores que compõem colares, chaveiros e broches.
Depois de ter participado do Programa Sebrae de Artesanato, Cláudia começou a se preocupar em reproduzir nas peças a história e a cultura local. “O SEBRAE me estimulou a fazer mais pesquisas sobre a identidade regional e buscar matérias-primas abundantes na região. Foi assim que descobri os resíduos da indústria”, conta.
Para a artesã Cleide Ferreira o reaproveitamento do material é tradição na família. Ela aprendeu a técnica de produzir tapetes e bolsas com tirelas – sobras do corte do tecido -, com a avó, que foi homenageada com o nome do negócio: Tear da Vovó.
Todos os produtos são confeccionados em teares centenários. A artesã conta com a ajuda de seis pessoas na produção. Ela compra mais de meia tonelada de matéria-prima, por mês, diretamente das confecções da cidade. Para se ter uma idéia do trabalho são necessários 25 quilos de material para fazer um tapete de 2 metros de comprimento. “Aprendi a aprimorar o meu produto resgatando técnicas centenárias da tecelagem regional e familiar, sem nunca esquecer do compromisso com o meio ambiente”, diz Cleide.
As artesãs fazem parte de um grupo de 22 participantes do Programa Sebrae de Artesanato, que começou no ano passado em Uberlândia. Elas receberam consultoria em design, capacitações técnicas de vendas, cultura da cooperação, atendimento a clientes e ampliação de mercado com participações em feiras. “O Programa pretende valorizar a identidade cultural e as potencialidades locais, mostrando uma maneira sustentável de fazer artesanato e gerar renda e trabalho para muitas famílias da região”, explica analista do SEBRAE/MG em Uberlândia, Fabiana Queiroz.
O resultado do programa pode ser conferido na exposição:
6 a 9 de maio
Abertura 6 de maio, às 19h
Ateliê Maristeles Crosara – Rua Javari, 41 – Lídice
Entrada franca
Uberlândia/MG

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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.