Como tirar sua empresa do vermelho

O site Pequenas Empresas Grande Negócios traz hoje uma matéria muito interessante sobre meio práticos de tirar a empresa do vermelho. Abaixo seguem algumas dicas da reportagem feita por Fernanda Tambelini, vale à pena ler.

:: SEPARE AS CONTAS PESSOAIS

De acordo com Barone, da FGV, e Enio Duarte Pinto, gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae Nacional, misturar as finanças da pessoa física e da pessoa jurídica é um dos erros mais comuns de pequenos e médios empresários. Esse é também o primeiro passo para criar sérios problemas de caixa. “Jamais use seu cheque especial ou cartão de crédito pessoal, que têm juros altos, para financiar as atividades do negócio”, aconselha Barone.

:: CONHEÇA OS CUSTOS

Para cortar gastos com eficácia, é fundamental saber exatamente quais são seus custos fixos e variáveis. Com a redução da atividade econômica, o faturamento costuma diminuir, mas muitas despesas continuam as mesmas. “Só conhecendo os custos é possível saber onde e como cortar”, afirma o professor da FGV.
André Sobrinho ficou surpreso com a estrutura inchada e os problemas financeiros da Zoom Grafik, quando assumiu a direção da empresa familiar após o falecimento de seu pai, em setembro de 2008. Sem revelar o valor da dívida, ele conta que analisou despesa por despesa e já atingiu uma economia mensal de R$ 50.000. Ele terceirizou o almoço dos funcionários (que antes custava R$ 12,75 por refeição e agora custa R$ 4,40), acomodou toda a equipe no imóvel próprio da empresa (poupando R$ 10.000 por mês de aluguel de um galpão) e optou pela terceirização dos serviços de acabamento gráfico, caros para a empresa.
:: CUIDE DOS CONTROLES GERENCIAIS
De acordo com Pinto, do Sebrae, após detalhar todos os custos, é preciso aprender a organizar planilhas de acompanhamento gerencial: contas a pagar, contas a receber, comissões sobre vendas, controle de estoque e fluxo de caixa. “Assim, as decisões passam a ser mais consistentes, embasadas nos dados.”
:: PENSE ANTES DE DEMITIR
Além dos gastos trabalhistas, demissões geram despesas em um segundo momento, o de recontratar, e diminuem a confiança e a produtividade dos trabalhadores que ficam. “Em vez de cortar o mais fácil, que está sob seu controle, procure agir em pontos de sua influência, como o aumento de vendas ou a negociação com fornecedores”, recomenda Pinto.
Dono da Patrimon Informática, loja de venda e manutenção de equipamentos em Brasília, Claudio Borges aproveita o movimento menor na parte da manhã para dar treinamentos técnicos e de vendas aos seus três funcionários. Na contramão do mercado, ele até contratou dois estagiários em janeiro. “Procurar mão-de-obra qualificada quando a economia voltar ao normal sairá mais caro do que formá-la agora”, afirma.
:: BUSQUE NOVOS MERCADOS
Se o setor de atuação do seu negócio encolheu por causa da crise, é preciso buscar novos mercados para seus produtos e serviços. Caso a sua empresa ainda não tenha sentido os efeitos do menor ritmo econômico, antecipe-se e diversifique a clientela. Isso dará mais força para você crescer no futuro, passada a tormenta.
A pernambucana Muzak Produções em Áudio, especializada no segmento de publicidade, sentiu a necessidade de expansão logo aos primeiros sinais da crise. “Estamos repensando o nosso negócio, vendo onde estão as oportunidades”, diz o sócio Marcelo Soares, que investiu R$ 7.500 na contratação de uma consultoria para ajudar a empresa a se posicionar em outros mercados, como conteúdo para rádios corporativas, programas para rádios abertas convencionais e produção de discos. Com os novos nichos, Soares acredita que deve manter o faturamento médio mensal de R$ 120.000 em 2009.
:: JUNTE-SE AOS CONCORRENTES
Consultores são unânimes ao listar os benefícios do associativismo. Aliando-se a concorrentes, é possível fazer compras conjuntas e ganhar poder de barganha na negociação de preços e prazos de pagamento. O gerente do Sebrae acredita que empreendedores podem dividir também investimentos em consultorias, treinamentos, ações de marketing e visitas técnicas a centros de pesquisa.
:: NEGOCIE COM FORNECEDORES
Lembre-se: a crise não atingiu somente a sua empresa. Não se intimide ao negociar prazos com seus fornecedores. “Quem vende para pequenos empreendimentos também foi afetado e não quer perder clientes”, afirma Pinto.
:: FIQUE ATENTO À QUALIDADE
Um erro comum cometido na tentativa de cortar custos é substituir matérias-primas e insumos por outros de menor qualidade. Os clientes logo percebem a diferença. Como resultado, a empresa só perde novas vendas. Negociar com os fornecedores e comprar em parceria com outros empresários gera resultados melhores.
:: REAVALIE AS DÍVIDAS
Analise todas as pendências financeiras da empresa e procure alternativas para reduzir as taxas de juros. O ideal é solicitar o refinanciamento com prazos maiores e prestações menores. “Se conseguir alguma carência, melhor para o fluxo de caixa”, completa Barone. Caso você ainda não tenha recorrido às instituições financeiras e precise de um reforço, procure as linhas de crédito que operam com recursos públicos, como o Proger e o Cartão BNDES. Como alternativa para salvar a empresa, talvez seja o momento de vender bens pessoais que geram custos mensais, como o carro ou a casa da praia.

Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.