Vamos Cantar e Gritar

Gostaria de propor a todos que lêem esse blog uma experiência com a música para espantar os maus pensamentos e ansiedades do dia-a-dia. Ontem, chegando em casa coloquei um cd dos anos 80 do grupo irlandês U2 na faixa Sunday Bloody Sunday em um volume bem mais alto do que costumo ouvir. Com as luzes apagadas cantei gritando a letra da canção sem me preocupar com os vizinhos.

Foi muito bom. Interessante…

Nem sei por que as pessoas tomam relaxantes musculares.

Agora me respondam como conseguimos guardar uma letra de uma canção antiga perfeitamente em nossa cabeça e não fazemos o mesmo com uma música atual.

Esse é o uso espiritual e medicinal da música. Pacientes com mal de Alzheimer e Parkinson ou aqueles que sofreram derrame melhoram muito ouvindo música. Através dela desaparecem os fenômenos que nos deixam mal e ansiosos, e ficamos felizes.

Segundo o americano Robert Jourdain que escreveu o livro Música, Cérebro e Êxtase, publicado no Brasil pela Objetiva, “a música vence os sintomas ao transportar o cérebro para um nível de integração acima do normal. Ela estabelece fluxo no cérebro, enquanto, ao mesmo tempo, estimula e coordena as atividades cerebrais, colocando suas antecipações na marcha correta. A música nos tira de hábitos mentais congelados e faz a mente se movimentar como habitualmente não é capaz. Quando somos envolvidos por música bem escrita, temos entendimentos que superam os da nossa existência.”

Chego à conclusão que devemos ouvir canções sem responsabilidade e preconceitos se queremos usá-las como remédio para alma, assim como os índios da Amazônia. Na tribo Mekranoti as mulheres durante seis meses se encontram de manhã e assim que a noite cai para cantar. Elas fazem isso para a escolha dos nomes das meninas da tribo. Os Homens também têm funções musicais. Antes do amanhecer, se reúnem no centro da aldeia para cantar por duas horas. A finalidade é proteger a comunidade de ataques inimigos. Uma das maiores diversões dos cantores é perseguir os homens que ainda estão dormindo, com insultos e gritos. Portanto, vamos cantar e gritar.

Agora, voltando ao ato de cantar para relaxar, lembre-se que não importa a música e sim a hora que vai fazer a experiência. Afinal de contas no Brasil ainda temos a Lei do Silêncio.

Eduardo de Souza é jornalista, apaixonado por música e o sujeito da foto.

Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.