O mito guarani e o desejo de todos nós

Nhanderu, nosso grande pai, vendo a maldade das pessoas e a vida piorando a cada dia, resolveu acabar com a terra, mas avisou antes Guirapoty, o nosso pajé, para que fizesse danças rituais. Ele obedeceu e passou a noite dançando ao som de cantos e instrumentos.

O texto parece saído da Bíblia, não? Mas segundo o escritor cearense, Jakson Alencar é um trecho de mais uma bela história da cultura indígena brasileira, tão desconhecida da gente. Assim começa A terra sem males – mito guarani, que fala do profundo anseio do ser humano por um mundo melhor, mais feliz, sem guerras e sem maldades. No livro, Guirapoty parte com sua família em direção ao mar para escapar do incêndio que vai acabar com a terra, mas o pajé prevê que logo aconteceriam enchentes, e, para proteger sua família, ele constrói uma casa. A água vinha tão forte que a família precisou subir no telhado da casa. Desesperado, Guirapoty entoou o Nheengaraí, o canto solene guarani, pedindo ao grande pai que eles pudessem ir para o outro lado do oceano, para uma terra sem males.
O livro não deixa de ser uma boa dica para o feriado, mas o que chama atenção em tempos de Gripe Suína, é a quanto tempo o homem deseja um mundo melhor. Este sentimento está presente em todos os povos e culturas em todos os tempos. Será que um dia a gente chega lá?

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Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.