Adriano, o imperador de si mesmo

Imperador Adriano, Pontifex Maximus dos territórios romanos, viveu de 117 a 138 da era Cristã, marcado pela busca do reconhecimento, do poder e do amor. Em suas memórias, escritas por Marguerite Yourcenar, Adriano questiona seu destino e os acontecimentos em sua vida. Bajulado, amado, temido, odiado, o Imperador construiu seu caminho muitas vezes indo contra seus sentimentos, e muitas vezes também, desejou poder voltar atrás.

Por ter o mesmo nome, conheço de cor a biografia e já partilhei muitos de seus pensamentos e agora, outro Adriano se questiona e decide com a força de um imperador. A decisão de um jogador de futebol bem sucedido de paralisar sua carreira quando ainda está no auge da forma física parece incoerente. Ouvi-lo dizer que é mais feliz ao lado de seus amigos na favela, também soa estranho. Então, é preciso encontrar uma reposta rápida: ele está envolvido com drogas, é alcoólatra, está depressivo, está doente.

Quantos optaram por uma carreira e descobriram que sua felicidade não estava naquele caminho? Quantos grandes executivos jogaram seus cargos fora para buscar a realização pessoal? E quantos de nós já desejamos ter a coragem de fazer mudanças radicais em nossas vidas, mas nos acovardamos diante do que é normal?

Terminar um casamento aparentemente feliz, deixar um emprego aparentemente bem sucedido, mudar de cidade, trocar de carreira. Todos os dias nos deparamos com oportunidades de reescrever nossa própria história e mais, há inúmeros exemplos de gente que teve a coragem de tomar as rédeas da vida nas próprias mãos: Paulo Coelho, Luciano Huck, Fausto Silva, Bill Gates, Lula, Anita Roddick e tantos outros.

Então, o que o jogador Adriano está fazendo não é novidade, mas ainda nos parece estranho que alguém decida seguir seu coração. Então me lembro de um trecho das memórias do primeiro imperador: “ele tomou sua adaga e gravou sobre a pedra dura algumas letras gregas, uma forma abreviada e familiar de seu nome: ADRIANO. Era ainda colocar-se em oposição ao tempo: um nome, um resumo de vida de que ninguém computaria os inumeráveis elementos, uma marca deixada por um homem perdido na sucessão de séculos”.


Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.