A Batalha Pessoal

Do rio que tudo arrasta sediz que é violento

Mas ninguém diz violentas
as margens que o comprimem
Bertold Brecht

E o caminho se abriu para ele.
A estrada de terra e o sol forte poderiam desanimar qualquer outro, mas não a ele. Seu coração há muito pedia para que a jornada fosse percorrida. Por anos, não deu ouvido, tentou viver os dias pensando no que era importante para a família, para os amigos, para seu amor. Mas o chamado nunca se calou.
Alguns são criados no amor, enquanto outros devem ser forjados a ferro e fogo. À noite, na cama, enquanto esperava o sono abrir as portas de outro mundo, a vida sussurrava oportunidades, desafios, escolhas.
De tanto ouvi-las decidiu que precisava fazer a jornada. Sabia que para muitos seria um louco. Seria julgado por pessoas que nunca deram ouvido ao convite da vida. Doía ver que os mais queridos acreditavam não serem mais amados, quanto engano pensava. Talvez por acreditar tanto no amor de cada um deles é que tinha coragem de partir.
A nascente quando desce a montanha vai fracamente e desconcertada buscando caminho por entre pedras, aos poucos ganha confiança e torna-se rio, assim, seria com ele. Pela primeira vez estava decidido a não se proteger atrás do amor e do carinho de outros, permitiria que a vida cumprisse seu papel e, finalmente, iria viver sua batalha pessoal.

Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.